Manter uma alimentação saudável neste período é importante para a saúde tanto da mãe quanto da criança
A campanha Agosto Dourado é dedicada ao incentivo à amamentação e à conscientização sobre seus benefícios para mães e bebês. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde, a recomendação é que os bebês sejam amamentados exclusivamente até os seis meses de vida. Após a introdução alimentar, a orientação é manter a amamentação até os dois anos ou mais.
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Durante os primeiros meses de vida, o leite humano fornece os nutrientes e a hidratação necessários para o bebê e a composição dele está relacionada à nutrição materna. Por isso, manter uma alimentação saudável neste período é importante para a saúde tanto da mãe quanto da criança.
“Os nutrientes presentes no leite materno derivam tanto das reservas corporais quanto da alimentação da mãe. Dessa forma, a qualidade da dieta materna influencia diretamente a composição nutricional do leite, tornando essencial a adoção de hábitos alimentares saudáveis durante o período de lactação”, explica a professora de Nutrição da Faculdade de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul (FADERGS), Leticia Schmidt, doutora em Pediatria e Saúde da Criança, nutricionista e especialista em amamentação.
A indicação é priorizar alimentos in natura e minimamente processados, ou seja, aqueles que não passam por processos de industrialização e adição de outros ingredientes culinários, como arroz, feijão, verduras e frutas.
A docente exemplifica que, se a alimentação da mãe contém grande quantidade de gordura saturada, o leite também terá mais gordura saturada, sendo que é importante a disponibilidade de ácidos graxos essenciais (poli-insaturados) para garantir a saúde do bebê. “Os nutrientes vão ser produzidos a partir do que a mãe ingere em cada refeição, bem como o que está armazenado no organismo”, ressalta.
Manter a produção de leite adequada também demanda boa hidratação e o ajuste do volume de alimentos. “É importante manter a hidratação, sempre respeitando a sede, e ajustar a quantidade, sem esquecer da qualidade, de alimentos para suprir as necessidades do próprio organismo para atender essa nova demanda. A mulher que está amamentando precisa de um aporte nutricional maior do que aquela que não está amamentando”, salienta.
Leticia Schmidt observa que muitas mulheres passam a restringir o consumo de certos alimentos por acreditarem que faria mal ao bebê. Entretanto, ela aponta que, na maioria dos casos, não há necessidade de restrição. No entanto, é preciso cuidar com a quantidade consumida de componentes como a cafeína, presente no chá preto, mate, chimarrão, café e refrigerantes, pois, dependendo da sensibilidade de cada criança, pode causar agitação.
A restrição total de algum alimento só precisa ser feita em casos de sintomas específicos apresentados pelo bebê e devidamente diagnosticados pelo pediatra, mas a docente reforça que não é necessário fazer uma restrição alimentar preventiva. Ela reforça que é importante buscar esclarecimento com profissionais de saúde, pois a exclusão de alimentos da alimentação materna pode contribuir para um déficit nutricional tanto para a mãe quanto para o bebê.

Letícia Schmidt também explica que crenças relacionadas a consumir alimentos, como cerveja preta ou um grande volume de leite, para aumentar a produção de leite não apresentam comprovação científica. No caso de bebidas alcoólicas, o consumo pode comprometer a saúde do bebê, pois o álcool passa para o leite humano.
A produção do leite está relacionada a questões hormonais e ao estímulo através da sucção do bebê. É por isso que, de acordo com a especialista, tem se priorizado colocar o bebê para ter esse contato pele a pele com a mãe durante a primeira hora de vida. “A primeira hora do bebê é extremamente importante para ele se conectar e para desenvolver todo esse processo de amamentação de forma satisfatória.”
Leticia Schmidt percebe que há um crescimento no incentivo do uso de leites em fórmula para substituir o leite humano. Ela aponta que a amamentação contribui para o desenvolvimento imunológico, aspecto que as fórmulas não conseguem suprir. Além disso, os nutrientes do leite se desenvolvem a partir das necessidades da criança.
“Uma mãe que tem bebê prematuro, o leite é específico para aquele bebê”, destaca. A amamentação também apresenta benefícios para a mãe, como a recuperação do peso pré-gestacional mais eficiente, retorno do útero ao tamanho fisiológico, redução do risco de hemorragias pós-parto e fortalecimento do vínculo mãe-bebê.
Leticia Schmidt salienta que muitas mães têm a percepção de que estão produzindo pouco leite, mas pode ser uma percepção equivocada. Por isso, a indicação nesses casos é procurar um especialista em aleitamento que auxilie a paciente a entender o que está acontecendo e a fazer as mudanças necessárias, pois muitos fatores relacionados ao manejo clínico da amamentação podem ser avaliados e corrigidos. Além disso, a especialista aponta que o apoio e atenção da família às necessidades da mãe e do bebê são fundamentais, já que é um período de mudanças no corpo e de adaptação.
Por Rafaela Bobsin
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