Médica explica como os sentidos se desenvolvem e quando a mãe costuma perceber os primeiros movimentos
A maternidade no Brasil tem passado por mudanças importantes nas últimas décadas. Um exemplo disso é o aumento no número de mulheres que decidem ter filhos mais tarde. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a proporção de mães com 40 anos ou mais que dão à luz praticamente dobrou em 20 anos, passando de 2,1% em 2003 para 4,3% em 2023. A idade média com que as mulheres têm filhos também subiu, passando de 26,3 anos em 2000 para 28,1 em 2022.
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Esse adiamento da gestação costuma vir acompanhado de um maior nível de planejamento e busca por informação ao longo da gravidez. Nesse contexto, entender o desenvolvimento do bebê dentro do útero, principalmente quando começam os movimentos e como os sentidos se formam, se torna um modo de acompanhar mais de perto cada etapa da gestação e fortalecer o vínculo ainda antes do nascimento.
De acordo com Nicole Ohira, médica da área de obstetrícia do AmorSaúde, rede de clínicas parceiras do Cartão de TODOS, a gestação é marcada por transformações contínuas, muitas delas invisíveis, mas fundamentais para o desenvolvimento do bebê. “Ainda dentro do útero, o feto começa a desenvolver seus sentidos de forma progressiva, criando as bases para interações que acontecerão após o nascimento”, diz. Entender os marcos da gestação ajuda a tornar a experiência da gravidez mais consciente e a fortalecer o vínculo entre mãe e bebê.
Os sentidos não surgem todos ao mesmo tempo. Cada etapa da gestação traz avanços importantes na forma como o bebê percebe o ambiente dentro do útero. “O tato é o primeiro sentido a se desenvolver, e a audição vem depois”, destaca Nicole Ohira. Segundo ela, os principais marcos incluem:
Os movimentos do bebê são um dos marcos mais esperados da gestação. No entanto, eles têm início muito antes de serem percebidos pela mãe. “O bebê começa a se movimentar bem cedo, por volta de 7-8 semanas, mas esses movimentos ainda são muito sutis e descoordenados”, explica Nicole Ohira.
Segundo ela, a percepção desses movimentos varia de acordo com cada gestação, entre 18 e 20 semanas, em gestantes de primeira viagem, e entre 16 e 18 semanas, em mulheres que já tiveram filhos. Com o passar do tempo, esses movimentos se tornam mais frequentes, intensos e perceptíveis.
A audição é um dos sentidos que se desenvolvem ainda durante a gestação e desempenha um papel importante no desenvolvimento do bebê. Segundo Nicole Ohira, o feto consegue perceber diferentes tipos de sons, como os batimentos do coração da mãe, a voz materna e sons externos, embora de forma mais abafada. Ela explica ainda que o contato com estímulos sonoros “contribui para o desenvolvimento do sistema nervoso e pode favorecer o reconhecimento da voz da mãe após o nascimento”.

Alguns hábitos simples podem contribuir para o desenvolvimento saudável do bebê e fortalecer o vínculo ainda durante a gestação. Entre eles, Nicole Ohira destaca:
Observar os movimentos do bebê é uma forma importante de acompanhar seu bem-estar, sobretudo nas fases mais avançadas da gestação. “O bebê deve se mexer todos os dias, principalmente no terceiro trimestre”, orienta Nicole Ohira.
De acordo com a especialista, uma forma prática de acompanhamento é observar se o bebê realiza cerca de 10 movimentos em até duas horas. Caso haja qualquer dúvida ou redução perceptível, a recomendação é buscar avaliação médica.
Ao longo da gestação, cada movimento e cada resposta do bebê refletem etapas importantes do seu desenvolvimento. Compreender esses sinais ajuda a tornar esse período mais seguro e mais significativo para a mãe.
Por Nayara Campos
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