Nordeste

Óleo mancha cartões-postais do Nordeste e deixa setor turístico em alerta

TNH1 com TV Pajuçara e agências | 10/10/19 - 17h25 - Atualizado em 10/10/19 - 18h13
Cortesia ao TNH1

Desde o início do mês de setembro, os principais cartões-postais dos estados nordestinos, nossas paradisíacas praias, foram manchados por um óleo indetificado até o momento como petróleo cru.

Se a preocupação com o impacto ambiental é a mais relevante, um efeito colateral que também começa a chamar atenção é o reflexo de toda essa sujeira para quem vive da economia do turismo na costa nordestina. Uma atividade que somente em agosto rendeu ao Nordeste R$ 2,4 bilhões; e R$ 29,1 bilhões em 2018 (descontada a inflação), segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). 

Até o momento, o cenário é apenas de alerta. Dados divulgados pelas três principais companhias aéreas que operam na região, Gol, Latam e Azul, não apontam para uma fuga de turistas. A Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) também não verificou desistências, mas as imagens de praias tomadas por manchas de óleo, além do mau cheiro provocado pela substância - mesmo que próprias para o banho, como atestou o Instituto do Meio Ambiente (IMA) - começam a preocupar, deixando em alerta um dos principais setores da economia regional.

A Secretaria de Secretaria e Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo de Alagoas avalia que a cadeia do turismo local não foi afetada. Mas a transquilidade não é unânime. Antonio Everton, da divisão de economia da CNC, garante que o impacto será inevitável. “O acidente vai afetar a economia local, em especial o setor de serviços, principalmente aqueles negócios que dependem ou têm relação direta com o ambiente marítimo”, advertiu, em entrevista ao Jornal Estado de Minas. 

Em entrevista ao Estadão, o presidente da Associação Brasileira de Turismólogos e Profissionais do Turismo, Elzário Pereira, também revelou preocupação. “Como você vai atrair visitantes para uma região que está sendo afetada por uma substância química?”, lamentou. 

Pacotes de viagem

A preocupação com o turismo na região já chegou até o Procon de São Paulo. Nesta quinta (10), o órgão divulgou decisão autorizando clientes a negociar com as operadoras com as quais fecharam pacote de viagem para os estados atingidos pelas manchas, para remarcar datas ou até cancelar a viagem, sem ter de pagar multa. O entendimento do Procon paulista, é que o consumidor não pode ser responsabilizado ou prejudicado por algo que não tem culpa.

Essa semana, o coordenador da bancada alagoana no Congresso Nacional e ex-ministro do Meio Ambiente, deputado federal Marx Beltrão (PSD), protocolou um pedido de informações cobrando do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, respostas sobre o desastre ambiental. No texto, o parlamentar cita também a preocupação com o turismo. “Estou cobrando oficialmente uma resposta do Ministério do Meio Ambiente. Além de um incalculável dano ao meio ambiente, o que pode caracterizar uma tragédia ambiental, devemos pensar também na repercussão geral do problema, como seus efeitos no turismo” afirmou Beltrão.

Alagoas

O impacto para os pequenos comerciantes, pelo menos, já começou a aparecer. O reporter Netto Motta, da TV Pajuçara, esteve em Coruripe, onde cerca de cinco toneladas de óleo foram encontradas no mar, e conversou com comerciantes, que já estão em alerta, considerando que o surgimento das manchas de óleo acontece justamente quando estão se preparando para a alta temporada. Até esta quinta-feira, a substância foi encontrada em 14 localidades.

Um comerciante ouvido pela reportagem afirma que já registrou o cancelamento de algumas reservas com foco no feriado do próximo dia 15. Uma outra comerciante, na Praia da Lagoa do Pau, Dona Creuza, recolheu as cadeiras por conta do baixo movimento. Assista na reportagem do Cidade Alerta Alagoas.


Sedetur: manchas não afetam cadeia turística

O TNH1 ouviu a Secretaria de Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo de Alagoas (Sedetur) sobre a preocupação com o impacto das manchas para a atividade turística em no litoral alagoano. Por aqui, o petróleo alcançou paraísos turísticos como Coruripe, Japaratinga, Paripueira e Barra de São Miguel, além da própria capital, Maceió. 

O secretário não comentou o assunto, mas por meio de nota, a Secretaria afirma que o episódio não teria afetado a cadeia turística local. A Secretaria afirma que houve "pouquíssimos relatos de turistas que tenham presenciado a situação nesse período". 

"Alagoas é um dos locais menos afetados com as manchas pretas que atingem o litoral do Nordeste brasileiro. Tivemos pouquíssimos relatos de turistas que tenham presenciado a situação nesse período, então o dia a dia da cadeia turística não está sendo afetado. De forma lamentável, o meio ambiente é o segmento que tem sido mais atingido por essa situação. Enquanto Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Alagoas sentimos muito pelo ocorrido e estamos acompanhando de perto e cobrando aos órgãos ambientais responsáveis, para que possam identificar o culpado, puni-lo e encontrar a resolução mais viável para redução de danos da forma mais célere possível", diz a nota.

Coruripe: 5 mil litros de óleo retirados do litoral [Foto: Arquivo Prefeitura Municipal]

Boa notícia: praias não estão impróprias para banho

Uma boa notícia partiu do IMA. Segundo o instituto, a aferição de balneabilidade, que atesta se as praias estão próprias ou não para o banho, mostrou que o óleo não contaminou a água.

O coordenador de Gerenciamento Costeiro do IMA, Ricardo Cesar, informou que as substâncias óleo e graxa foram incluídas na análise, feita semanalmente pelo órgão em 60 pontos do litoral alagoano.

“Deu negativo [a análise]. Então a balneabilidade está sem alteração em função do óleo. Já o Ibama fez análise dos animais que são consumidos, como peixes, e não foi detectado nenhuma toxicidade”, afirmou Ricardo César.