Contextualizando

Opinião: "Antipetismo X antibolsonarismo - começa a guerra"

Em 26 de Julho de 2026 às 18:10
Jornalista Ricardo Kotscho, ex-assessor de imprensa do Partido dos Trabalhadores:
"Como não se cansa de repetir Valdemar Costa Neto, o dono do PL dos Bolsonaros, esta eleição 'vai ser uma guerra'.
Se assim é, está na hora de cada um escolher o seu lado no front.
A capa da revista Veja desta semana, por exemplo, já escolheu o seu. 'A aposta no antipetismo', diz a manchete, com um grande 'X' riscando a estrela do partido e pichações em volta com as palavras de ordem: 'Chega', 'Fora PT, 'Decepção', 'Já deu, 'Não queremos +'. A campanha de Flávio Bolsonaro pode usar esse material em sua propaganda, já vem pronto.
Na pior semana de Flávio até agora, com o candidato, lançado pelo pai no final do ano passado, derretendo em praça pública, a revista resolveu fazer um inventário das mazelas e desafios do partido do governo com Lula em busca do quarto mandato.
A chamada de capa já diz tudo: 'Mesmo com problemas sérios de articulação política, oposição segue competitiva graças à rejeição de parte dos eleitores ao histórico de escândalos e às ideias ultrapassadas do PT'.
Para justificar o enunciado, a revista cita uma pesquisa da Genial/Quaest, segundo a qual a rejeição ao PT variou de 36% para 42% entre fevereiro e julho de 2026, enquanto a rejeição ao bolsonarismo foi de 39% para 44% no mesmo período.
Ou seja, vai ser uma eleição do contra, da disputa de rejeições, mais de ataques ao adversário do que de propostas para o país.
O que Costa Neto não imaginava é que a guerra começaria não contra o PT, mas dentro do próprio PL, ou melhor, da casa dos Bolsonaros, com a madrasta Michelle, seu maior cabo eleitoral, chutando o balde para cima de Flávio numa crise familiar que durou semanas. No papel de bombeiro, já no desespero, o presidente do partido arrancou um vídeo de Flavio pedindo desculpas e outro de Michelle aceitando, às vésperas da convenção partidária do PL neste sábado.
Ao tentar justificar as dificuldades enfrentadas pela campanha, até agora sem vice, sem alianças e sem palanques fortes, e com novas denúncias se sucedendo quase diariamente, o cacique-mor do PL reconheceu em entrevista à CNN que o seu candidato 'não estava preparado para ser candidato a presidente'.
Agora é tarde. Até pela falta de concorrentes competitivos, com uma terceira via nanica, setores do mercado e da mídia vão ter de seguir a procissão com Flávio, que resolveu radicalizar o discurso para mostrar à militância ainda estar vivo, com ataques à urna eletrônica e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, chamado por ele de 'pau mandado de Lula'. Daqui para frente, Flávio resolveu ser mais Jair, agora sem essa de moderado que toma vacina e sabe usar talheres.
Enquanto Lula administra o novo tarifaço de Trump sob a bandeira da soberania, monta sua equipe de campanha e investe na neutralidade do centrão, as últimas pesquisas mostram uma melhora geral dos índices de aprovação do governo, apontando seu favoritismo nos dois turnos (no momento em que escrevo, ainda faltava o Datafolha).
Os dois candidatos parecem ter invertido as posições nas últimas semanas: agora, é Lula quem joga parado, e Flávio corre atrás dos prejuízos, faltando poucas semanas para o início oficial da campanha e menos de três meses para a eleição.
De onde partirá a próxima bomba? A delação de Vorcaro voltou a empacar, e a investigação da PF sobre a origem e o destino da grana do Master no 'Dark Horse' está só começando.
Uma coisa é certa: os próximos dias prometem fortes emoções, com várias novelas concorrendo ao mesmo tempo dos dois lados desta guerra eleitoral.
Vida que segue."

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