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Padre renuncia a cargo na Igreja após ser encontrado em aplicativo LGBT

Uol | 22/07/21 - 16h03 - Atualizado em 22/07/21 - 16h08
Divulgação / YouTube / Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos

O padre Jeffrey Burrill, membro administrador da Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB), renunciou ao cargo esta semana depois de um escândalo envolvendo flagras de um perfil atribuído a ele no aplicativo de relacionamento Grindr, direcionado a pessoas da comunidade LGBTQIA+, e sua suposta aparição em saunas gays.

As alegações foram publicadas pelo site de notícias religiosas Pillar, que alegou ter tido acesso aos dados do celular do religioso, afirmando ter encontrado provas de sua participação "física e virtual" em encontros com outros homens.

"De acordo com registros comercialmente disponíveis do aplicativo, obtidos pelo The Pillar, um aparelho eletrônico relacionado a Burrill emitiu sinais de acesso ao aplicativo Grindr quase que diariamente em partes de 2018, 2019, e 2020, tanto em seu escritório na USCCB quando em sua casa que é patrimônio da conferência, assim como em reuniões da USCCB e eventos em outras cidades", afirmou o site religioso.

Ainda segundo a plataforma, as "atividades sexuais" do padre, que tem base em Wisconsin (EUA), incluíam visitas a uma "sauna gay" em Las Vegas.

Burrill é detentor do título de monsenhor, concedido pelo papa a membros da Igreja Católica por serviços prestados à comunidade. Ontem, o arcebispo de Los Angeles, José Gomez, cedeu uma carta ao jornal National Catholic Reporter confirmando o afastamento do religioso.

"Na segunda (19), nós tomamos conhecimento de notícias iminentes alegando um possível comportamento impróprio do monsenhor Burrill. O que chegou a nós não incluia alegações de má conduta com menores. Mas mesmo assim, para evitar se tornar uma distração às operações e trabalhos na Conferência, o monsenhor renunciou imediatamente".

Apesar das opiniões desfavoráveis da Igreja Católica em torno da homossexualidade, a reportagem feita pelo site Pillar virou alvo de críticas de fieis, que condenaram o levantamento "antiético e homofóbico" de seus dados.

"Eu sou um pecador, assim como você, assim como o monsenhor Jeffrey Burrill. Nenhum de nós tem uma vida pessoal que iria suportar o tipo de escrutínio que o Pillar colocou sobre Burrill", opinou Steven P. Millies, um dos diretores da Catholic Theological Union, escola de teologia com orientação católica em Chicago.

Além de críticas da própria comunidade religiosa, especialistas em privacidade eletrônica também condenaram o uso dos dados do monsenhor.

A publicação pública dos dados de Burrill pelo site, que diz ter obtido as informações usando dados do próprio aplicativo Grindr, autenticados por uma firma particular, "desencadeia uma corrente que o usuário não pode controlar, porque eles nem sabem quais dados foram coletados em primeiro lugar e não tem ideia de onde eles estão armazenados", declarou Patrick Jackson, líder de tecnologia da empresa de proteção de privacidade Disconnect ao jornal the Washington Post.

Apesar da insegurança, segundo o jornal The New York Post, as leis federais dos Estados Unidos não proíbem a venda de dados.

Já o Grindr, em declaração ao The Washington Post, negou que seus dados sejam públicos.

Procurado pelos jornais norte-americanos, Burrill não respondeu.