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Parlamentar conservador morre após ser esfaqueado na Inglaterra

Folhapress | 15/10/21 - 16h05 - Atualizado em 15/10/21 - 16h18
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Um membro do Parlamento britânico morreu após ser esfaqueado enquanto se reunia com eleitores em uma igreja na cidade de Leigh-on-Sea, no condado de Essex, no leste da Inglaterra. David Amess, 69, era do Partido Conservador, o mesmo do primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson.

O parlamentar estava na Igreja Metodista de Belfairs, sede escolhida para um encontro quinzenal entre os membros do Legislativo e seu eleitorado. Uma placa na entrada da igreja diz "todos são bem-vindos aqui: onde velhos amigos se encontram e estranhos se sentem em casa". Testemunhas disseram que um homem com uma faca entrou no prédio e atacou Amess, sem motivação aparente. O conservador chegou a receber cuidados médicos dentro da igreja, mas não resistiu aos ferimentos.

Em uma publicação no Twitter, a polícia de Essex disse ter chegado ao templo pouco depois das 12h (8h no horário de Brasília). No local, um homem de 25 anos ainda não identificado publicamente foi preso, e uma faca, apreendida. "Não estamos procurando mais ninguém em conexão com o incidente e não acreditamos que haja uma ameaça em andamento para a população em geral", escreveu a corporação.

Imagens da emissora britânica Sky News mostraram grupos de policiais armados do lado de fora da igreja, bem como várias ambulâncias. Um porta-voz da igreja não quis comentar o caso. Segundo o jornal The Guardian, oficiais das unidades antiterrorismo do país estavam monitorando a situação e sendo atualizadas sobre os detalhes do crime. Uma possível motivação terrorista não foi descartada, embora nenhuma evidência conhecida até o momento sustente esse tipo de suspeita.

A morte de Amess agora se soma a uma estatística no Reino Unido que preocupa mais que a violência envolvendo armas de fogo, como ocorre nos Estados Unidos e em grande parte da América Latina. Desde que o governo britânico endureceu a legislação sobre o tema, o país tem um dos mais rígidos controles sobre posse de armas na Europa -o episódio que estimulou a mudança na lei foi um ataque a tiros em que 15 crianças e uma professora foram assassinadas na Escócia, em 1996.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas, o Reino Unido registrou mais de 41 mil crimes envolvendo facas entre março de 2020 e março de 2021. O levantamento inclui homicídios e tentativas de assassinato, ameaças de morte, agressões/lesões corporal, roubos, estupros e agressões sexuais.

O número representa uma queda de 15,3% em relação ao período anterior -o que pode ser explicado por uma diminuição da criminalidade no período mais severo da pandemia de coronavírus. Em relação a 2010/11, porém, o índice de ocorrências envolvendo facas cresceu 27,4%.

Católico devoto, Amess era casado e pai de quatro filhas e um filho. Foi eleito pela primeira vez para o Parlamento para representar a cidade de Basildon em 1983 e depois se candidatou pelo distrito de Southend West em 1997. Em seu site, elencava "bem-estar animal e questões pró-vida" entre os principais interesses -era conhecido por ser um dos legisladores mais dedicados ao ativismo antiaborto no país.

Segundo a imprensa britânica, Amess pediu, no início do ano, um aprimoramento das medidas preventivas contra crimes cometidos com facas. O parlamentar também se opunha a projetos de lei que promovem direitos LGBTQIA+, como o que reconhece a legitimidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O esfaqueamento desta sexta ecoa dois casos: em 2010, Stephen Timms, parlamentar trabalhista, sobreviveu a um ataque parecido em seu gabinete. Já em 2016, a deputada Jo Cox, também trabalhista, foi assassinada aos 41 anos por um ultranacionalista de extrema direita no período que antecedeu o referendo em que os britânicos votariam pelo brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia.

Timms, nas redes sociais, disse estar chocado com o ataque a Amess. A fundação criada em homenagem a Cox, assim como o viúvo da parlamentar, também se manifestou. "Atacar nossos representantes eleitos é atacar a democracia. Não há justificativa. É o [ato] mais covarde possível", afirmou Brendan Cox.

O premiê Boris Johnson afirmou que os britânicos estão com os corações "cheios de choque e tristeza" devido ao assassinato. "David foi um homem que acreditou apaixonadamente neste país e em seu futuro, e hoje perdemos um excelente servidor público e um amigo e colega muito querido."

Mais cedo, a esposa de Boris, Carrie, que foi diretora de comunicação do Partido Conservador, descreveu como "absolutamente devastadora" a notícia da morte de Amess. "Ele era extremamente gentil e bom. Um enorme amante dos animais e um verdadeiro cavalheiro. Isso é completamente injusto."