Michelle Gomes dos Santos de Oliveira, uma profissional de educação física, sofreu queimaduras nas córneas após usar uma pomada de cabelo durante uma corrida em Maricá, no Rio de Janeiro, resultando em uma emergência médica e tratamento intensivo.
Ela já havia enfrentado problemas semelhantes anteriormente, incluindo uma conjuntivite química, e alertou a trancista sobre suas experiências, mas foi informada que a pomada era aprovada pela Anvisa, o que se mostrou falso.
Após receber alta médica, Michelle gravou um vídeo para conscientizar outras pessoas sobre os riscos do uso de produtos não regulamentados, especialmente entre atletas e crianças, e defendeu a necessidade de alternativas mais seguras para o uso de tranças.
A profissional de educação física Michelle Gomes dos Santos de Oliveira, 44, compartilhou o momento assustador que viveu após participar de uma corrida em Maricá, no Rio de Janeiro. Depois da prova, ela começou a sentir uma forte ardência nos olhos e precisou ir ao hospital. Lá, recebeu o diagnóstico: queimadura nas córneas. A causa surpreendeu: uma pomada de cabelo.
LEIA TAMBÉM
Essa não foi a primeira vez que ela teve problema com o produto. Em novembro de 2025, após fazer uma trança, ela teve conjuntivite química. "Foi leve, não me impediu de trabalhar, só ficava sensível na luz do sol, tratei e fiquei bem no dia seguinte", diz, em entrevista à CRESCER.
Por isso, quando fez uma nova trança um dia antes da corrida, em 25 de abril, avisou a trancista sobre o problema que teve anteriormente. "Perguntei várias vezes se a pomada era aprovada pela Anvisa e ela me disse que sim", lembra.

'O suor, juntamente com a pomada, foram escorrendo para os olhos'
Ela sentiu que algo estava errado desde o início da prova, às 8h30. "Logo no começo, comecei a transpirar e o suor, juntamente com a pomada, foram escorrendo pelo meu rosto, principalmente para os olhos", recorda.
Ela lavou o rosto várias vezes com água mineral. Quando acabou a corrida, às 10h10, já estava com a visão turva e embaçada. Pouco depois, começou a sentir ardência e dificuldade de manter meus olhos abertos, com muita sensibilidade à luz.
Em casa, no fim da tarde, os sintomas só pioraram. Às 18h30, resolveu ir ao hospital. Chegando lá, passou por diversos exames e foi informada que sofreu uma queimadura química nas duas córneas — 100% na direita e 70% na esquerda.
"Os médicos informaram que há muitos relatos desse tipo de queimadura, disse que a pomada provavelmente não é aprovada pela Anvisa. Às vezes, os testes nas pomadas podem ser referentes a alergias no couro cabeludo e não para os olhos", alerta.
Para tratar a grave queimadura, foi feita uma limpeza profunda nos olhos. "Foi aplicado antibiótico e corticoide. Tive que fazer curativo nos dois olhos mantendo-os fechados, ir todos os dias repetir o exame para ver se estava melhorando, trocar os curativos e fazer limpeza", conta.
"Tenho um filho de 13 anos. Foi muito ruim ficar sem vê-lo"
O tratamento foi desafiador, afinal, ela precisou de curativo nos olhos e não conseguia enxergar nada. "Foi um susto muito grande, dias de muita dor, medo e incertezas. Tive até crise de ansiedade. Tive a ajuda do meu marido nesses dias que eu não enxergava, ele foi meus olhos", ressalta.
Mais do que a dor física, o que a abalou era ver a família angustiada. "Tenho um filho de 13 anos. Foi muito ruim ficar sem vê-lo, só escutava a voz dele. O pior é tê-lo deixado aflito e preocupado. Deixei muita gente preocupada! Minha mãe nem dormiu na primeira noite", lamenta.
Em 2 de maio, Michelle recebeu alta médica e pôde retirar os curativos. "Agora estou bem, graça a Deus! Estou 100%", comemora.

'Tem que haver um jeito menos perigoso'
Após o incidente, ela resolveu gravar um vídeo para alertar outras pessoas. "Sou profissional de educação física e vejo muitos atletas usando essas tranças, para correr ou para competir. Quero alertá-las do risco, ainda mais para quem transpira muito, assim como eu. Além disso, hoje em dia vejo muitas crianças usando. Isso meu preocupa bastante", afirma.
O vídeo viralizou, alcançando mais de 200 mil visualizações. Nos comentários, outras mulheres comentaram que já passaram por situações semelhantes. "Passei por isso recentemente. Estou em recuperação. Queimei as duas córneas, queimadura química causada pela pomada na minha trança", diz uma. "Estou assim também de um olho só, o outro já melhorou", conta outra.
Michelle destaca que não quer prejudicar o trabalho das trancistas, seu objetivo é alertar sobre o uso indevido de pomadas não aprovadas pela Anvisa. "É preciso ter um método de fazer trança sem colocar ninguém em risco. Mudar o produto, usar algo natural, usar somente creme de pentear, por mais que vá durar menos tempo. Essa química é muito severa", destaca.