Petrobras anuncia reajuste nos preços da gasolina para as distribuidoras

Publicado em 28/05/2026, às 13h34
Imagem de arquivo - José Cruz / Agência Brasil
Imagem de arquivo - José Cruz / Agência Brasil

Por Nicola Pamplona / Folhapress

A Petrobras anunciou um reajuste de R$ 0,48 no preço da gasolina em suas refinarias, mas o repasse ao consumidor será limitado a R$ 0,03 devido a uma subvenção do governo e à mistura de etanol anidro, resultando em um preço final de R$ 1,83 por litro nas bombas.

Esse é o primeiro aumento no preço da gasolina desde outubro de 2025, e ocorre em um contexto de alta de quase 80% no preço de paridade de importação da gasolina, impulsionada pela guerra no Oriente Médio e pelo aumento da demanda no verão do Hemisfério Norte.

O governo implementou uma subvenção de até R$ 0,44 por litro para mitigar o impacto do reajuste, além de um cashback para devolver impostos às empresas, enquanto o diesel também recebeu novas subvenções para evitar desabastecimento no mercado.

Resumo gerado por IA

A Petrobras vai reajustar em R$ 0,48 o preço da gasolina em suas refinarias. O repasse ao consumidor, porém, será de R$ 0,03, segundo a estatal, devido à mistura de etanol anidro e após a subvenção do governo.

"Para o consumidor, considerando que a gasolina C vendida nos postos é obtida a partir da mistura obrigatória de 70% de gasolina A e 30% de etanol anidro, a parcela da Petrobras na composição do preço final passará dos atuais R$ 1,80 para R$ 1,83 por litro, um aumento residual de no máximo R$ 0,03 a cada litro de gasolina C vendida nas bombas", informou a empresa.

Decreto do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicado na terça-feira (26) estabeleceu subvenção de até R$ 0,44 por litro.

O reajuste já era esperado e chegou a ser antecipado pela presidente da estatal, Magda Chambriard, em duas ocasiões nas últimas semanas. A empresa aguardava apenas o anúncio de medidas para mitigar o impacto nas bombas.

É a primeira mudança no preço da gasolina nas refinarias da Petrobras desde outubro de 2025, quando houve corte de 4,9%. A estatal já havia ajustado o preço do diesel à escalada das cotações internacionais do petróleo após o início da guerra no Irã.

Segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), o preço de paridade de importação da gasolina nos portos brasileiros subiu quase 80% desde o início do conflito no Oriente Médio.

Na abertura do mercado desta quinta (28), o preço da gasolina vendida pelas refinarias da estatal estava R$ 1,37 por litro abaixo da paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustível).

O país é pouco dependente de importações de gasolina, produto que pode ainda ser substituído pelo etanol. No caso do diesel, cerca de um quarto do mercado é abastecido por importações, o que levou o governo a adotar medidas emergenciais para evitar desabastecimento.

O diesel foi mais afetado inicialmente, mas o preço da gasolina começou a disparar nas últimas semanas tanto por efeitos da guerra quanto pela proximidade do verão no Hemisfério Norte, quando aumenta o consumo do combustível nos Estados Unidos.

Diante da pressão sobre suas finanças, a Petrobras passou a negociar com o governo medidas que permitissem o reajuste. O governo tentou primeiro um projeto de lei permitindo o uso de renda extra do petróleo para baixar impostos, mas a tramitação empacou.

A MP anunciada pelo governo neste mês cria uma subvenção que terá como limite o valor dos impostos PIS/Cofins e Cide, R$ 0,89 por litro. Funcionará como um cashback, em que o governo devolverá às empresas o valor pago em impostos. A ideia é minimizar choque de preços. A avaliação do governo é que o choque de preços na gasolina é menor do que o do diesel.

O diesel ganhou nova subvenção, de R$ 0,35 por litro, que se somam aos R$ 1,20 e R$ 1,56 já concedidos para produtores nacionais e importadores, respectivamente, nos primeiros programas de subvenção.

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