A Polícia Civil investiga a morte de Kratos Douglas, um menino de 11 anos encontrado em sua casa no Itaim Paulista, onde há suspeitas de que seu pai filmava e vendia imagens de tortura. O caso levanta preocupações sobre o tratamento da criança, que estava acorrentada e desnutrida há pelo menos um ano.
Os investigadores apreenderam diversos equipamentos eletrônicos na residência, incluindo computadores e câmeras, que serão analisados para determinar se há gravações das agressões. A família do menino, composta pelo pai, avó e madrasta, foi presa e indiciada por tortura com resultado morte, com penas que podem chegar a 16 anos.
As autoridades aguardam laudos periciais para prosseguir com a investigação, enquanto duas outras crianças que estavam na casa foram encaminhadas ao Conselho Tutelar. A mãe de Kratos, que reside no interior, será ouvida como testemunha, mas não é considerada suspeita no momento.
A Polícia Civil investiga se o pai de Kratos Douglas, menino de 11 anos encontrado morto dentro da casa onde morava com a família no Itaim Paulista, na Zona Leste de São Paulo, filmava e vendia imagens da criança sendo torturada.
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A suspeita passou a ser apurada após investigadores encontrarem computadores, HDs e memórias digitais. Além disso, a quantidade de câmeras espalhadas pela casa chamou a atenção das autoridades.
“A casa era monitorada, havia vários computadores. Nós apreendemos os computadores, apreendemos HDs, vários tipos de memória. Tudo isso será encaminhado à perícia para verificar o material. Se há algum material que possa nos dar uma finalidade”, afirmou o delegado Thiago Bassi nesta quinta-feira (14).
Os investigadores afirmam que ainda aguardam os resultados das perícias para saber se havia gravações das agressões e se esse conteúdo era armazenado ou compartilhado.
“[Os agentes] arrecadaram uma série de equipamentos que serão analisados, serão periciados. Já foi solicitada a quebra dos dados telemáticos. O juiz já concedeu para a gente verificar tudo. Nós vamos depender desses laudos periciais no primeiro momento”, disse a delegada Ancilla Dei Vega Dias Baptista Giaconi.
O pai do menino, Chris Douglas, de 52 anos, a avó paterna, Aparecida Gonçalves, de 81, e a madrasta, Camilla Barbosa Dantas Felix, de 42, estão presos e foram indiciados por tortura com resultado morte. A pena pode chegar a 16 anos de prisão. O g1 tenta localizar as defesas deles para comentar o assunto.
Segundo a Polícia Civil, Kratos era acorrentado e torturado havia pelo menos um ano dentro da casa onde vivia com os familiares.
Segundo Bassi, a polícia está “convicta” da participação dos três familiares no crime. “Tudo indica que ele [Kratos] estava sendo torturado há pelo menos um ano”, disse o delegado.
A polícia informou ainda que a família morava na casa do Itaim Paulista havia cerca de um ano e que, durante esse período, o menino praticamente não era visto fora do imóvel.
“Falamos com diversos vizinhos e todos eles foram unânimes em dizer que a criança sequer era vista. A maioria deles disse que não sabia nem da existência da criança na casa”, afirmou Bassi.
Segundo a polícia, o menino não estava matriculado em nenhuma escola na capital. O delegado destacou que o último registro de matrícula da criança é em uma escola de Bauru, no interior paulista, em 2024.
De acordo com a investigação, Chris admitiu em seu interrogatório na delegacia que prendia o filho com corrente para impedir que ele fugisse de casa. O homem foi preso em flagrante na segunda‑feira (11), quando o menino foi achado morto na residência por médicos e policiais.
Chris segue detido preventivamente. Ele negou que agredisse a criança, mas as autoridades encontraram lesões nas pernas do menino compatíveis com tortura. Além disso, Kratos estava desnutrido.
"Mais de um ano que esse menino... olha eu não vou mostrar essa imagem para ninguém, sabe quando você vê aquelas as crianças desnutridas magrinhas que é só esqueleto complementando é o caso desse menino", disse Osvaldo Nico Gonçalves, secretário da Segurança Pública de São Paulo.
Aparecida e Camilla foram presas na quarta (13) por determinação da Justiça. A polícia também pediu a prisão preventiva das duas _ainda não havia uma decisão judicial sobre o pedido até a última atualização desta reportagem.
Em seus depoimentos, elas disseram que sabiam que Kratos era acorrentado pelo pai, mas negaram participação nisso. Disseram que o que faziam era alimentar o garoto.
"Elas afirmam que tinham conhecimento do acorrentamento, mas alegam que ele fugia", falou Thiago. "E elas informaram que ele não ia à escola porque ao chegar à escola ele fugia ficava vários dias fora de casa e depois retornava. E esse seria inclusive o motivo da desnutrição dele".
Segundo a investigação, Kratos não frequentava a escola desde 2024. "A informação é de que a criança não estava matriculada. A avó veio com a criança de Bauru há um ano", disse a delegada Ancilla Vega, titular do 50º DP.
De acordo com ela, o laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML), que ainda não ficou pronto, irá apontar a causa da morte do garoto.
Descoberta do caso
Kratos Douglas foi encontrado morto no chão de um dos quartos da casa. A própria família acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros, alegando que o menino estava passando mal.
Quando os socorristas chegaram, ele já estava sem vida. O corpo apresentava hematomas nos braços, mãos e pernas, além de outros sinais compatíveis com maus‑tratos.
Também foram encontradas correntes, que o pai admitiu usar no filho. A Polícia Militar (PM) foi chamada até o local e deteve Chris.
A Polícia Civil foi em seguida e encontrou câmeras de monitoramento interno no imóvel. A investigação quer saber se o pai gravava a tortura contra o filho. Os equipamentos foram apreendidos e serão periciados. A corrente usada para prender o garoto também foi recolhida.
Mais duas crianças que estavam na casa - um menino de 3 anos, filho da madrasta de Kratos, e outra de 12 anos, filha da mãe do menino que morreu - foram levadas pelas autoridades ao Conselho Tutelar.
A mãe de Kratos, que mora no interior do estado, será ouvida pela polícia. Por enquanto ela não é investigada e falará como testemunha.
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