Polícia detalha como agiam suspeitos de aplicar o "golpe do chargeback" em Alagoas

Publicado em 02/07/2026, às 12h11
Ascom PC
Ascom PC

Por Redação

A Operação Fio de Ariadne, realizada pela Polícia Civil em Alagoas, visa desmantelar um esquema de fraudes eletrônicas conhecido como Golpe do Chargeback, que causou prejuízos milionários a instituições financeiras. A ação incluiu 26 mandados de busca e apreensão, mas não resultou em prisões até o momento.

O delegado José Carlos explicou que o grupo criminoso utilizava dados de vítimas para realizar compras online com cartões de crédito, retirando o dinheiro antes que as vítimas pudessem reclamar. As instituições financeiras, ao tentarem estornar os valores, enfrentaram grandes perdas devido à natureza fraudulenta das transações.

A investigação, iniciada em 2024, levou ao bloqueio de R$ 1,5 milhão nas contas dos suspeitos e à apreensão de veículos e equipamentos que poderão ser usados para ressarcir as vítimas. Embora os envolvidos permaneçam em liberdade, as investigações continuam para identificar outros participantes e esclarecer a estrutura da organização criminosa.

Resumo gerado por IA

A investigação do "Golpe do Chargeback", cujo o cometimento é mediante à utilização de cartões de crédito de vítimas de forma online, ganhou mais um capítulo nesta quinta-feira (02), com a Operação Fio de Ariadne, desencadeada pela Polícia Civil em Alagoas. O objetivo da ação foi cumprir 26 mandados de busca e apreensão domiciliar nas cidades de Maceió e Rio Largo, contra investigados por fraudes eletrônicas, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ninguém foi preso.

Em entrevista ao programa Fique Alerta, da TV Pajuçara, no fim desta manhã, o delegado José Carlos detalhou como o golpe era aplicado. Segundo ele, o grupo criminoso conseguia uma lista com dados de vítimas e de números bancários. Através desses cartões, eles realizavam compras online e retiravam o dinheiro de contas antes das reclamações das vítimas aos bancos.

"Essas pessoas pegavam uma lista de cartões de vítimas totalmente inocentes e passavam esses cartões em maquinetas de determinada instituição financeira. Esses créditos eram feitos aos envolvidos e a instituição financeira antecipava esse crédito, só que como eram compras fraudulentas, as pessoas lesadas questionavam. Todo esse valor milionário era questionado, e os bancos que faziam o pagamento tinham que estornar os pagamentos dos cartões de crédito e ficaram no prejuízo. Quando foram atrás dos envolvidos, eles não responderam. Evidentemente não demonstravam uma relação comercial, porque de fato não houve. Os cartões foram passados fraudulentamente. Os bancos tentavam estornar os valores, mas os envolvidos já tinham usado diversos laranjas, diversas empresas, para pulverizar rapidamente esse dinheiro", disse.

José Carlos acredita que os investigados integram um núcleo em Alagoas que foi cooptado por um grupo nacional. "Esse fato é registrado em outros estados. Eles conseguiam essa lista de vítimas e a partir desses dados, as compras eram feitas nas maquinetas e o dinheiro era imediatamente antecipado, porque eles sabiam que as pessoas iam questionar. Mas enquanto se passavam um ou dois dias, eles recebiam os valores antecipados e tiravam o dinheiro o quanto antes daquela conta e pulverizava a quantia na conta de outras empresas e laranjas", reforçou.

A investigação começou em 2024, quando o golpe era aplicado, e culminou na autorização da Justiça para o bloqueio de cerca de R$ 1,5 milhão nas contas de todos os investigados. Os veículos e equipamentos apreendidos podem, futuramente, ser utilizados para ressarcir as vítimas desses casos.

"Os investigados são alagoanos, e temos que nos aprofundar em relação a alguns laranjas, se eles tinham conhecimento do fato ou só tinham o nome utilizado. Sobre alguns outros, a cúpula da organização criminosa, temos documentação vasta sobre o envolvimento. Acreditamos que foram cooptados por grupos nacionais para que se aplicasse o fato em Alagoas, pois a investigação demonstra um fluxo financeiro saindo daqui para outros estados, para a divisão dos valores obtidos ilicitamente", concluiu.

Os envolvidos no golpe seguem em liberdade, mas as investigações policiais continuam em busca de novos esclarecimentos. 

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