Contextualizando

Por que o PT insiste na mentira sobre Nossa Senhora Aparecida

Em 28 de Setembro de 2026 às 17:25

Jornalista Roseann Kennedy :

"A propagação das fake news sobre a padroeira do Brasil a poucos dias das eleições não surgiu de forma aleatória. A onda de conteúdos falsos começou imediatamente após dados de pesquisas acenderem o alerta no Palácio do Planalto e na campanha presidencial petista de que Luiz Inácio Lula da Silva corria o risco de 'derreter' no eleitorado católico.

Basta observar o levantamento Atlas/Bloomberg, divulgada na quarta-feira, 23. Os dados negativos para o petista vão muito além da queda nas intenções de voto, que já vem sendo registrada ao longo dos meses também em outros levantamentos. O problema agora é que a maioria absoluta dos católicos passou a relacionar diretamente o petista com a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) — assunto que gerou o maior desgaste para a campanha de Lula até o momento — e a desaprovação do presidente entre esses eleitores alcançou 51%.

No início da sexta-feira, 25, dois integrantes do núcleo duro da campanha, em diálogo com a Coluna do Estadão, indagaram, em tom otimista, se estávamos acompanhando as notícias de que o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Um deles ressaltou o quanto isso era prejudicial para o adversário.

Entretanto, quando contestados de que se tratava de uma fake news, os mesmos interlocutores logo mudaram de assunto e apenas reforçaram que a notícia havia 'saído na televisão' e que 'não se fala de outra coisa nas redes'.

O cenário desenhado na pesquisa apontou vários recortes de alerta para Lula. O petista, que somava 54,2% da preferência dos católicos em março, hoje tem 49,1% desse eleitorado. Essa queda foi gradativa, mas há outros pontos de atenção.

O índice de maior impacto para a campanha petista talvez esteja nos desdobramentos da crise institucional no Judiciário. O instituto apresentou a seguinte pergunta: 'Na sua opinião, a atual crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal prejudica mais a candidatura de Lula ou de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial?'. Entre os católicos, 51,7% afirmaram que os episódios no tribunal afetam mais o presidente, enquanto apenas 18,8% disseram atingir mais o candidato do PL.

A campanha de Lula sabe que o eleitorado em geral relaciona diretamente a ele as imagens dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Antes, essa era uma pauta que mobilizava mais os evangélicos, pela afinidade de voto com Flávio, especialmente pelas críticas contumazes que o grupo faz ao julgamento dos atos de 8 de janeiro. Mas agora, a crise no STF entrou de vez no radar do eleitorado católico também.

Também é necessário observar que, apesar de Lula continuar liderando pesquisas no Nordeste, seu principal rival conseguiu avançar na região. E está justamente nos estados nordestinos a maior concentração porcentual de católicos do País.

Segundo dados do Censo Demográfico 2022 do IBGE, 56,7% da população brasileira se declara católica, alcançando 63,9% no Nordeste — região onde o candidato do PL realizou agendas recentes e onde o presidente registra perda de votos.

Logo, não foi à toa que o coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) estimulou a propagação da notícia falsa sobre a padroeira e Flávio Bolsonaro. Na sexta-feira, 25, sem nenhum constrangimento, e com alvo muito bem definido, George Marques da Silva e Silva republicou mensagem com a ordem:

'Parem de divulgar retratação. Deixem o assunto rolar. Eles fizeram isso em outras eleições e quase nos ferram. Continuem compartilhando que nossa senhora foi atacada, precisa chegar no interior do Nordeste, no interior do Norte'.

A postagem acabou apagada posteriormente.

Ou seja, os petistas aproveitam a religião e a dificuldade de falar com o público confessional para resgatar a tática admitida em 2013 pela então presidente Dilma Rousseff durante a busca pela reeleição: 'Nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição', resumiu ela.

A pesquisa Atlas/Bloomberg foi realizada entre os dias 17 e 22 de setembro com 5.015 entrevistados. O levantamento apresenta margem de erro de 1 ponto percentual, nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-04739/2026.”

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