Na disputa pelo governo de Alagoas em 1998 a campanha se polarizou entre Manoel Gomes de Barros, que tentava a reeleição, e Ronaldo Lessa, que havia encerrado sua gestão na Prefeitura de Maceió em 1996 e estava há quaase dois anos sem mandato.
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Mano tinha apoio declarado de 94 dos 102 prefeitos, além de considerável maioria dos deputados estaduais e federais, enquanto Lessa, pela oposição, tinha de se satisfazer com lhe sobrara, em termos de lideranças políticas, além do forte apelo da sua proposta de renovação, de mudança.
Abertas as urnas, Ronaldo Lessa foi eleito logo no primeiro turno e terminou exercendo mandato de governador por duas gestões seguidas.
Cerca de um mês depois da eleição, dois vizinhos de condomínio - um advogado, já falecido, e um empresário - se encontraram numa festa de aniversário e, em certo momento, o assunto da mesa em que estavam passou a ser política.
Como a eleição era bastante recente, o empresário fez um comentário sobre a disputa:
- Pela primeira vez fiz uma transação com o Estado no início dedte ano e, ao contrário do que esperava, em momento algum me pediram propina. Eu me surpreendi, porque sempre ouvia falar que em negócios com o governo a gente tem sempre de deixar um dinheirinho para os caras.
O advogado interveio:
- Então foi por causa disso, pela seriedade do governo, que você votou no Mano?
O empresário surpreendeu ao dizer:
- Não, votei no Ronaldo porque achei que era preciso mudar...
A conversa terminou por aí, pois o advogado, revoltado com o argumento, resolveu ir para casa.
Esse é um episódio real, testemunhado por várias pessoas, mais um a mostrar o quanto é volúvel o sentimento do eleitor, circunstância que nenhuma pesquisa é capaz de detectar.
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