Quem é a advogada que perdeu a guarda do filho após se casar com Thiago Brennand

Publicado em 16/07/2026, às 18h58
Imagem Quem é a advogada que perdeu a guarda do filho após se casar com Thiago Brennand

Por g1

A advogada Karina Kufa, que perdeu provisoriamente a guarda do filho após se casar com o empresário Thiago Brennand, preso por crimes contra mulheres, ganhou destaque ao integrar a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, levantando questões sobre sua atuação profissional em meio a um contexto familiar conturbado.

Brennand, condenado a 31 anos de prisão por agressões e estupro, teve sua gravidade ressaltada pelo juiz, que considerou as acusações como 'extremamente graves' e que envolvem até o próprio filho, levando à decisão de manter a criança com o pai após as férias.

A Justiça determinou que Karina deve se manifestar sobre o pedido de tutela de urgência em cinco dias, enquanto uma perícia psicológica será realizada para avaliar a capacidade do pai e sua companheira de atender às necessidades da criança, com o objetivo de garantir seu bem-estar.

Resumo gerado por IA

A advogada Karina de Paula Kufa, que perdeu provisoriamente a guarda do filho após se casar com o empresário Thiago Brennand, que está preso, no último dia 2 de julho, ganhou projeção nacional ao integrar a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Especialista em direito eleitoral, ela também costuma compartilhar nas redes sociais publicações sobre a fé cristã.

Na terça-feira (14), a Justiça de São Paulo determinou, em decisão liminar, que o filho de Karina permaneça provisoriamente com o pai, Amilton Augusto da Silva Júnior, após o período de convivência das férias.

Preso desde abril de 2023, Thiago Brennand responde e já foi condenado em diferentes ações penais por crimes contra mulheres, incluindo acusações de estupro e agressão. A condenação mais recente ocorreu na última segunda-feira (13), quando a Justiça o sentenciou a 31 anos de prisão por crimes contra uma ex-companheira, que relatou ter sido agredida e obrigada a tatuar as iniciais do empresário no próprio corpo.

No processo sobre a guarda do filho de Karina, o juiz afirmou que as acusações contra Brennand são "extremamente graves" e envolvem "requintes de crueldade", inclusive contra o próprio filho (leia mais abaixo). O g1 entrou em contato com a advogada, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.

Karina passou a integrar a equipe jurídica de Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018 e permaneceu como uma de suas principais advogadas nos anos seguintes, atuando principalmente em questões eleitorais e partidárias.

Atualmente, ela integra a defesa de Thiago Brennand. Ao longo da carreira, também atuou para o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques, investigado por suspeitas de uso da corporação nas eleições de 2022, e para Marcelo Queiroga, o ex-ministro da Saúde do governo Bolsonaro.

Ela ainda trabalhou na defesa do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). Em uma publicação nas redes sociais no ano passado, afirmou que a relação entre os dois vai além da profissional.

"Eduardo não é apenas um cliente, mas um amigo leal e verdadeiro. Não é à toa que carrego tantas boas lembranças, algumas eternizadas em fotos. Ele não é daqueles que se deixam influenciar, mas sim alguém que inspira e lidera. Seu carisma singular, sua capacidade de diálogo e sua habilidade de apaziguar conflitos fazem dele um verdadeiro líder", escreveu.

Segundo informações divulgadas por ela em seu perfil no LinkedIn, Karina é fundadora do escritório Kufa Advocacia, diretora do Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp e presidente do Instituto Paulista de Direito Eleitoral. No perfil, ela informa ainda ter pós-graduação em Direito Administrativo pela PUC-SP.

A advogada também costuma expor a fé cristã nas redes sociais. Em diversas publicações, demonstra admiração pela bispa Sônia Hernandes, fundadora da Igreja Renascer em Cristo e uma das idealizadoras da Marcha para Jesus. Segundo Karina, foi a própria líder religiosa quem realizou seu batismo.

"Foi ela quem me batizou. E, desde então, me acompanha com constância, discernimento e coragem em ciclos de lutas duras e grandes vitórias. Não como espectadora, mas como quem entende que liderança verdadeira exige presença, firmeza e propósito. Posso afirmar que seu exemplo de mulher e os ensinamentos que me passou sobre a vida e a palavra de Deus me fizeram uma mulher muito melhor", escreveu em uma publicação no Instagram.

Em maio, após a posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do ministro André Mendonça na vice-presidência da Corte, Karina publicou uma foto dos magistrados desejando sucesso.

"Em um momento desafiador para a Justiça Eleitoral, a posse de ambos representa mais do que uma mudança na composição da Corte: simboliza experiência, responsabilidade e compromisso com a democracia brasileira. Que esta nova missão seja conduzida com a mesma grandeza que os trouxe até aqui", escreveu.

Perda da guarda

Segundo o processo, a guarda da criança é compartilhada e a casa de referência havia sido fixada com a mãe por acordo aprovado em 19 de março de 2026. Na decisão, o magistrado afirma que Karina Kufa se casou no começo de julho com Brennand.

O juiz registra que Brennand é acusado da prática de diversos crimes contra diferentes vítimas, conforme sua folha de antecedentes, e afirma que as acusações atribuídas a ele são "extremamente graves" e envolvem "requintes de crueldade", inclusive contra o próprio filho.

A decisão também menciona que as acusações envolvendo mulheres com quem Brennand se relacionou tiveram ampla divulgação na mídia.

Diante do contexto, o magistrado afirma ser "razoável questionar se a manutenção do domicílio de referência materno atende os melhores interesses da criança". Segundo a decisão, a questão ainda depende da instauração do contraditório, da produção de provas e da análise do pedido de tutela de urgência.

Mesmo assim, o juiz entendeu que a gravidade potencial dos fatos narrados justificava uma medida imediata para resguardar a criança. Por isso concedeu liminar provisória e temporária determinando que, ao fim do período de convivência paterna durante as férias, o menino permaneça com o pai e não retorne ao domicílio materno.

A decisão também autoriza que o pai providencie a matrícula da criança em uma escola na cidade de São Paulo.

Karina Kufa terá prazo de cinco dias, contados do recebimento da decisão, para se manifestar especificamente sobre o pedido de tutela de urgência. O magistrado ressalta que esse pedido ainda será analisado de forma substancial após a manifestação da defesa e do Ministério Público.

Além disso, foi determinada a realização de perícia psicológica para avaliar se o pai e sua companheira têm condições de suprir as necessidades da criança e se a alteração do domicílio de referência para a residência paterna atende ao melhor interesse do menor.

Nota de Amilton Augusto, pai da criança

"Em relação aos questionamentos que tenho recebido sobre o processo envolvendo a guarda do meu filho, esclareço que não posso fornecer detalhes, uma vez que a ação tramita sob segredo de justiça, medida que existe justamente para preservar a intimidade e o melhor interesse da criança.

O que posso afirmar é que, como advogado e pai, adotei todas as medidas legais que estavam ao meu alcance para proteger meu filho de qualquer situação que, no meu entendimento, pudesse representar riscos ao seu desenvolvimento e bem-estar.

Por respeito ao sigilo judicial e, principalmente, à preservação da criança, não farei outros comentários sobre o caso neste momento. No mais, sigo confiante na Justiça e fazendo o que entendo ser o melhor para o meu filho."

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