Quem é o líder religioso por trás de império bilionário da pornografia

Publicado em 15/05/2026, às 09h20
Reprodução / X
Reprodução / X

Por Extra Online

O mundo da pornografia, uma das formas de contéudo mais consumidas na internet, é cheio de labirintos e becos sem-saída: poucos sites respondem a contatos da mídia e menos ainda se sabe a quem eles pertencem.

Há uma exceção, no entanto: a Aylo, uma das maiores — senão a maior — empresas de entretenimento adulto, dona de sites como Pornhub e Brazzers, tem um porta-voz: Solomon Friedman, um rabino, advogado e sócio da Ethical Capital Partners, empresa de private equity que comprou a Aylo em 2023.

Vice-presidente de Compliance da Ethical, Friedman vem promovendo, segundo ele, uma "revolução" no PornHub, principal site da empresa, de origem canadense.

O sucesso é superlativo. Em março deste ano, só o PornHub — um de muitos sites geridos pela Aylo — recebeu 4,2 bilhões de visitas: isso o torna mais popular que redes sociais como o X, Linkedin e o Tiktok.

Os números do PornHub:

  • Visitas mensais: 3,5 bilhões a 4 bilhões de acessos.
  • Visitas diárias: Mais de 115 a 140 milhões de usuários únicos acessam o portal.
  • Visitas anuais: A plataforma atrai mais de 42 bilhões de visitas todos os anos.
  • Tráfego por dispositivo: A maioria esmagadora do acesso é por dispositivos móveis, representando cerca de 80% a 90% do tráfego total.
  • Engajamento: É o site com uma das taxas de rejeição mais baixas da internet (cerca de 23%), e os usuários passam em média de 7 a 10 minutos por visita.
  • Biblioteca de vídeos: O catálogo tem 13 milhões de conteúdos armazenados.
  • Taxa de Uploads: São enviados cerca de 8.800 novos vídeos por dia (uma média de 6 a 10 novos vídeos por minuto).
  • Duração média: Os vídeos possuem uma duração média de 13 a 15 minutos.
  • Faturamento da empresa: Estima-se que as operações da controladora do Pornhub gerem receitas que ultrapassam facilmente a marca de US$ 100 milhões (R$ 500 milhões) anuais, com margens operacionais na faixa de 27% a 30%.

Em entrevista ao jornal britânico "The Times", Friedman contou mais sobre sua gestão à frente de um dos maiores sites do mundo.

"Você está falando de uma indústria que é impulsionada, tanto na criação quanto no consumo, pelo instinto biológico mais significativo", argumentou ele, quando perguntado sobre a ética do principal conteúdo do site: vídeos com títulos incestuosos como "Dividindo a cama com minha meia-irmãzinha".

“Não existe uma varinha mágica. Mas existem boas políticas públicas, que permitem garantir a segurança e a proteção das pessoas que criam conteúdo legal e constitucionalmente protegido, bem como a segurança de quem consome esse conteúdo, certo? Vamos continuar lutando por isso", alegou o rabino.

Embora ordenado como rabino, o canadense de 40 anos nunca chegou a praticar sua liderança religiosa — ele chegou a se mudar para Israel, onde recebeu o treinamento rabínico.

Advogado criminalista e professor de Direito, ele é sócio da Friedman Mansou LLP. No site da empresa, é definido da seguinte maneira: "Sua experiência, aliada ao seu talento para a argumentação oral e escrita eficaz, para criar argumentos jurídicos persuasivos e inovadores, tanto em julgamentos quanto em apelações".

Friedman diz que se tornou a face da empresa "para ajudar uma indústria que esteve em decadência por muito tempo a ressurgir e torná-la mais segura".

A segurança a que se refere muito provavelmente tem a ver com uma investigação do jornal "The New York Times". Em 2020, o veículo publicou diversas matérias acusando o PornHub e a então empresa-mãe MindGeek de "pouco fazer" sobre vídeos que mostravam meninas vítimas de tráfico sexual, mulheres inconscientes sendo estupradas, agressão sexual e abuso sexual infantil.

Friedman e seus sócios viram, na polêmica, uma oportunidade de negócios: mesmo com os diversos processos contra ele, o PornHub — e as outras empresas do grupo — era extremamente lucrativo e com grande possibilidade de crescimento. O tamanho e a fama do Pornhub o submetem a um escrutínio maior do que seus concorrentes, independentemente dos desejos de seus proprietários. No mundo dos negócios, entretanto, isso significa potencial para fazer mais dinheiro. Sob pressão da Visa e da Mastercard, que suspenderam os seus serviços, o site removeu cerca de 10 milhões de vídeos não verificados e se abriu para uma abordagem "mais ética" do conteúdo adulto.

Assim, Friedman e os seus sócios compraram a MindGeek, renomeando-a para Aylo, o que, para eles, marcava um "novo começo" da gigante.

O nome da empresa de private equity (gestora de recursos que investe capital privado em empresas maduras, de capital fechado, não listadas em bolsa, e com alto potencial de crescimento) Ethical (Ética, em português), criada em 2023, veio depois. Uma das sócias é Sarah Bain, ex-diretora de comunicação do Partido Liberal do Canadá, de centro-esquerda, que é a escudeira de Friedman até hoje.

"A ética é pessoal e subjetiva. O que é ético para uma pessoa pode não ser para outra, mas é um ponto de partida ao qual podemos recorrer quando precisamos tomar decisões. É o que nos guia", defendeu-se ele.

Gostou? Compartilhe