Remédio que virou febre para emagrecer pode ter relação com calvície masculina, diz estudo

Publicado em 03/09/2026, às 13h39
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Por Galileu

Um estudo da NYU Langone Health revela que homens com predisposição genética à calvície podem ter um risco adicional de 7% de perda de cabelo ao usar medicamentos agonistas de GLP-1, como Mounjaro e Ozempic, sugerindo uma possível conexão biológica entre o uso desses fármacos e a alopecia androgenética.

A pesquisa identificou uma associação entre a atividade do gene GLP1R e a alopecia androgenética, mesmo após considerar fatores como hipertensão e resistência à insulina, indicando que a relação não é meramente explicada por essas condições.

Os autores do estudo recomendam mais investigações para entender os mecanismos envolvidos e sugerem que testes genéticos possam ser desenvolvidos para identificar homens em risco de queda de cabelo antes do tratamento, além de considerar o uso de medicamentos para preservar os fios em conjunto com os agonistas de GLP-1.

Resumo gerado por IA

Homens com predisposição genética à calvície podem apresentar um risco adicional de 7% de perda de cabelo quando usam medicamentos agonistas de GLP-1, como Mounjaro, Ozempic, Wegovy e Zepbound, sugere um novo estudo. É o que aponta um novo estudo, liderado por pesquisadores da NYU Langone Health, nos Estados Unidos, publicado nesta quinta-feira (3) na revista científica Journal of Investigative Dermatology.

O trabalho encontrou uma associação entre a atividade de um gene chamado GLP1R e a alopecia androgenética, a forma hereditária mais comum de queda de cabelo. Vale salientar, no entanto, que os resultados não significam que todos os homens que usam esses medicamentos enfrentarão, necessariamente, queda dos fios, nem que os remédios sejam, por si só, a causa da calvície. O estudo identificou apenas uma possível conexão biológica que ainda precisa ser investigada.

Gene pode ajudar a explicar a associação

O GLP-1 é um hormônio produzido naturalmente pelo organismo que participa do controle da glicose no sangue e do apetite. Os medicamentos que imitam sua ação, conhecidos como agonistas de GLP-1, são usados principalmente no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade.

Para investigar uma possível relação com a queda de cabelo, os pesquisadores analisaram o GLP1R, gene relacionado à produção de receptores de GLP-1. A equipe comparou a atividade desse gene com características genéticas associadas à alopecia androgenética em homens. Esse tipo de calvície costuma começar na região frontal e no topo da cabeça e tem forte componente hereditário.

Os pesquisadores encontraram uma maior probabilidade de associação entre a atividade elevada do GLP1R e a presença da alopecia androgenética. Segundo eles, a sobreposição entre os dois perfis genéticos sugere que a ação do GLP-1 e a queda de cabelo podem estar biologicamente relacionadas.

“Nosso estudo fornece a primeira ligação genética entre o uso de GLP-1 e um risco aumentado de calvície de padrão masculino devido à alopecia androgenética, uma associação há muito suspeita, mas até agora não comprovada cientificamente”, afirmou Lynn Petukhova, pesquisadora sênior do estudo e professora da NYU Grossman School of Medicine, em comunicado à imprensa.

Risco não parece depender de outros fatores

Para verificar se o resultado poderia ser explicado por condições já relacionadas à perda de cabelo, os cientistas refizeram a análise levando em conta diferentes fatores. Um deles foi a hipertensão.

A pressão alta é considerada um possível fator de risco para a queda dos fios porque pode prejudicar a circulação sanguínea e, consequentemente, o funcionamento dos folículos capilares. A equipe também considerou a resistência à insulina, associada ao diabetes tipo 2, e níveis reduzidos de testosterona.

Mesmo depois desses ajustes, o aumento de risco relacionado à atividade do GLP1R permaneceu em 7%. O resultado reforçou para os autores a hipótese de que a associação não seja explicada apenas por essas condições.

Queda de cabelo já é relatada por usuários

A queda de cabelo já vinha sendo observada por usuários de medicamentos que atuam sobre o GLP-1, tanto homens quanto mulheres. Até agora, uma das principais explicações levantadas é que o problema estaria relacionado à perda rápida de peso provocada por esses medicamentos.

Mounjaro, Ozempic, Wegovy e Zepbound atuam sobre mecanismos hormonais que ajudam a controlar a glicemia e a reduzir o apetite. Em algumas pessoas, a perda de peso ocorre de maneira acelerada, e esse processo pode desencadear uma queda temporária dos fios. Em muitos casos, o crescimento capilar volta a ocorrer alguns meses depois que o peso se estabiliza.

O novo estudo amplia essa discussão ao sugerir que, pelo menos em homens geneticamente predispostos, a própria ação do GLP-1 pode estar relacionada ao risco de queda de cabelo. Isso independentemente de fatores como perda de peso ou resistência à insulina.

Próximos estudos podem avaliar risco antes da prescrição

Apesar dos resultados promissores, os autores reconhecem limitações no projeto. “São necessárias mais pesquisas para compreender os mecanismos biológicos que levam o uso do GLP-1 a enfraquecer o crescimento do folículo capilar”, afirma Petukhova.

Uma das possibilidades levantadas pela equipe é avaliar, no futuro, se testes genéticos poderiam identificar homens com maior risco de queda antes do início do tratamento.

“Nossos resultados sugerem que, se experimentos futuros forem bem-sucedidos, alguns homens, e possivelmente mulheres também, poderão ser avaliados quanto ao risco de queda de cabelo antes de receberem prescrição de medicamentos GLP-1”, indica Petukhova.

A pesquisadora também considera que, caso a relação seja confirmada, tratamentos para preservar os fios poderiam eventualmente ser usados junto aos medicamentos para controle do peso ou do diabetes. Entre as possibilidades citadas por ela está o minoxidil, medicamento utilizado no tratamento de alguns tipos de queda de cabelo.

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