Brasil

Repórteres são aprisionados por suposto pastor em igreja no Pará

Observatório da TV | 20/10/20 - 09h03 - Atualizado em 20/10/20 - 09h04
A repórter Nathália Kahwage afirmou que foi ameaçada | Reprodução

Dois jornalistas da TV Liberal, afiliada da Rede Globo no estado da Pará, foram mantidos em cárcere privado por membros de uma igreja evangélica, denominada Assembleia de Deus, no bairro de Curió-Utinga, na cidade de Belém, enquanto filmavam uma reportagem sobre as consequências de uma enchente no local.

De acordo com informações do telejornal JL2, a repórter Nathália Kahwage e o cinegrafista Wanderley Prestes entraram no templo no último sábado (17), para filmar alguns dos desastres causados pelo vendaval, autorizados pela Defesa Civil do Município e por um integrante da igreja.

“Mas aí, durante a gravação da reportagem, [a equipe] foi abordada por um homem, que se dizia pastor, e impedidos de sair da igreja por seguranças. A porta do local foi trancada, e a equipe ameaçada. Só depois de algum tempo, e com a ajuda de moradores, é que ela pôde deixar a igreja“, relatou a apresentadora do informativo em Belém.

“A assessoria de comunicação da Assembleia de Deus em Belém disse que a igreja em que a equipe da TV Liberal foi trancada e ameaçada em Curió-Utinga não pertence à denominação oficial da Assembleia de Deus“, acrescentou a mesma âncora.

Caso de polícia

Segundo o jornalista Paulo Pacheco, do portal NaTelinha, a repórter e o cinegrafista registraram boletim de ocorrência contra os membros da igreja, em um distrito policial no bairro de Pedreira.

Trechos do depoimento de Nathália afirmam que ela “tentava andar em direção à porta, porém eles [membros da igreja] seguravam pelo braço e ombro. As pessoas começaram a tentar tirar a câmera das mãos de Wanderley” e que “o homem (pastor) passou a ameaçar, dizendo que se a matéria fosse ao ar, ele iria matar Wanderley“.

Em suas redes sociais, a TV Liberal publicou uma nota de repúdio à agressão sofrida pelos dois funcionários.

“A TV Liberal acredita que toda essa violência injustificável e covarde decorre da intolerância e da incapacidade de compreender a atuação jornalística, que é a de levar informação aos cidadãos. Tal atitude feriu a liberdade de expressão e de imprensa“, afirma um trecho do comunicado.