Alagoas

Reserva à beira-mar preserva patrimônio natural da Mata Atlântica em Japaratinga

Agência Alagoas | 08/01/21 - 11h58 - Atualizado em 08/01/21 - 12h02
Foto: Felipe Brasil / Agência Alagoas

Com a abertura para visitação da recém-inaugurada Reserva da Bica, o município de Japaratinga ganhou mais um atrativo que incrementa e diversifica a experiência turística na região da Costa dos Corais. Na última quarta-feira (06), o Governo de Alagoas visitou a unidade de conservação situada no povoado Barreiras do Boqueirão.

Encravada na franja verdejante que emoldura a paisagem de uma das mais aclamadas praias do Litoral Norte do estado, o sítio possui 200 metros de extensão à beira-mar e distende-se por dois quilômetros vale adentro – da cobertura total de 18 hectares (o equivalente a 18 campos de futebol), cinco são exclusivos para a área de proteção ambiental que, em 2019, recebeu o título de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).

Do alto de seus dois mirantes, um deles a 70 metros de altitude, a vista é de cartão-postal. A retina paralisa diante do retrato estonteante – autêntico paraíso tropical. Esqueça os clichês: a mais suntuosa enseada das praias de Japaratinga capricha em mostrar que a vida vale a pena. É o lugar certo, na hora certa. Sempre.

De início, ao percorrer uma trilha leve e relativamente curta (entre 10 e 15 minutos de duração), o visitante logo se depara com espécies da chamada Mata Atlântica de Tabuleiro. A cobertura vegetal recebe forragem e floração de plantas e árvores como cajueiro brabo, barbatimão, ouricuri, araçá, mangabeira e murici, além de orquídeas, bromélias e até um raro exemplar de massaranduba, entre muitas outras.

Se der sorte, o turista vai saborear a mangaba fresquinha ou até arriscar algo mais exótico, como a cajarana-de-macaco, cuja semente molhadinha e felpuda equilibra doçura, acidez e leve amargor como você talvez nunca tenha experimentado.

Pouco adiante, a contemplação da paisagem entorpece corpo e a alma no Mirante das Falésias. Mais abaixo, no Mirante das Tartarugas, a maré alta pode trazer exemplares das cascudas em busca de alimento no entorno dos arrecifes.

(Foto: Felipe Brasil / Agência Alagoas )
(Foto: Felipe Brasil / Agência Alagoas )
(Foto: Felipe Brasil / Agência Alagoas )
(Foto: Felipe Brasil / Agência Alagoas )

De volta ao coração da reserva, além de abundante variedade de pássaros, outras espécies de animais silvestres já foram avistadas. Tem cotia, tatu, raposa, gato-do-mato, tejo e papa-mel. Num galho de araçá, os vincos talhados denunciam a passagem recente de um gato-do-mato, que utilizou a árvore para afiar as garras.

Unidades de conservação

Como se percebe, a natureza viva e preservada da Reserva da Bica remete à ancestralidade de um lugar, mas, como o acesso ao público teve início no último dia 23 de dezembro, pode-se dizer, sem trocadilho, que se trata de localidade novinha em folha.

A ideia de separar um pedaço da propriedade familiar em RPPN foi da bióloga Flávia Moura, ativista ambiental, pesquisadora e professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). O pequeno pedaço do Éden não poderia estar sob melhores cuidados.

“Transformar parte do sítio em área de preservação é uma forma de utilizá-lo sem degradá-lo”, explica Flávia Moura. “Uma vez que os impactos foram e vão sendo retirados, espero que a área se torne cada vez mais conservada. E que a gente consiga sensibilizar mais pessoas que promovam a preservação ao criar unidades de conservação em suas terras”, revela.

O antigo Sítio Bica, onde se encontra a unidade de conservação, foi adquirido por seu avô, no início dos anos 1950. O local é histórico para a cidade. Uma das nascentes que brota de suas terras é o lendário vertedouro Bica dos Homens, que no passado servia de banho para a população.

Ao lado de Flávia, o estudante de biologia Eládio Pereira responde pela administração da reserva. Encantou-se tanto com o lugar a ponto de morar numa casa construída na área do sítio. Ele confirma que há planos para aprimorar a experiência para os visitantes.

Além de melhorias na acessibilidade, os gestores pretendem instalar área de camping, delimitar espaços para a venda de itens produzidos por artistas e artesãos da região, agregar iniciativas de produção agroecológica e firmar convênios com escolas para realizar visitas educativas que combinam informações da natureza com a história e a cultural da região.

Do alto do mirante, ao fitar o farol de Porto de Pedras e a foz do rio Manguaba, que traça o limite com o município vizinho, Flávia Moura vislumbra um futuro próximo em que a reserva entrará em definitivo no roteiro do turismo sustentável de Alagoas.

“Outro tipo de turismo, que não seja de grande impacto, associado a atividades tradicionalmente realizadas pela população da região, como a produção do doce de caju, o extrativismo da mangaba de forma sustentável e a utilização do ouricuri para o artesanato”, exemplifica a bióloga, em mais uma prova de que desfrutar das belezas naturais do estado pode ir além do mar e do sol, e incluir a contemplação de ecossistemas aliada a conhecimentos histórico-culturais e à valorização da sustentabilidade econômica local.

A Reserva da Bica funciona entre quinta e segunda-feira, das 7h30 às 11h e das 14h às 17h (com entrada permitida até as 16h30). O ingresso custa R$ 10 por pessoa (crianças menores de 12 anos não pagam) e o valor é utilizado para fins de manutenção da área verde. Para grupos maiores, recomenda-se o agendamento via whatsapp no número (82) 99415-7246 ou pelo perfil @reservadabica_ no Instagram.