Nordeste

Sai laudo final de acidente que vitimou Gabriel Diniz e pilotos; Aeronáutica aponta falha humana

Eberth Lins | 30/10/20 - 11h09 - Atualizado em 30/10/20 - 11h39
Foto: Reprodução / Facebook

O Comando da Aeronáutica, por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes, divulgou o relatório final sobre as causas do acidente que vitimou o cantor Gabriel Diniz e mais dois homens, os pilotos alagoanos Abraão Farias e Linaldo Xavier, em maio de 2019. O documento foi divulgado nessa quinta-feira (29) e aponta como causas para a queda da aeronave a 'atitude' e 'indisciplina' do piloto, que também morreu no acidente. 

De acordo com o relatório, a indisciplina do piloto contribuiu para a ocorrência do acidente. "Ao ingressar em área com instabilidade atmosférica e formações meteorológicas, o piloto deixou de observar a ICA 100-12/2016 Regras do Ar, que estabelecia os mínimos de visibilidade e de distância de nuvens em Condições Meteorológicas de Voo Visual (VMC)", diz o documento.

"Assim sendo, o voo IMC, conduzido por um piloto inexperiente e sem habilitação, em condições meteorológicas adversas, em uma região de turbulência, pode ter levado o piloto a empregar os comandos de forma brusca, impondo sobrecarga à estrutura da aeronave em condição de velocidade superior à Va, conectado ou não a possível desorientação espacial. Tal condição levou à separação estrutural da aeronave, colisão entre as partes e consequente perda de controle", diz o documento. 

A aeronave decolou do Aeródromo Deputado Luís Eduardo Magalhães, em Salvador, tendo como destino o Aeroclube de Alagoas, em Maceió. "A atitude do piloto de não considerar os procedimentos previstos para se manter em condições de voo visuais concorreu para a exposição da aeronave a elevado risco de acidente", reforçou o relatório.

Foto: Reprodução / Redes Sociais 

A investigação concluiu ainda que as condições meteorológicas não se apresentavam favoráveis ao voo visual no nível de voo solicitado e não eram propícias à realização do voo visual em rota. "Cerca de uma hora e vinte minutos após a decolagem, durante o voo em rota, sob condições meteorológicas adversas, quando a aeronave se encontrava a, aproximadamente, 30nm a sudoeste do Aeródromo Santa Maria (SBAR), Aracaju, SE, houve perda do contato rádio com o Controle de Aproximação de Aracaju (APP-AR). Na sequência, houve desprendimento de componentes da aeronave em voo, seguindo-se da queda da aeronave. Posteriormente, os destroços do avião foram localizados em uma área de manguezal no povoado de Porto do Mato, Estância, SE", detalhou o relatório.

Conforme o relatório, a presença de fenômenos meteorológicos na rota, como nuvens baixas e precipitações de intensidade moderada a forte, interferiu na operação da aeronave de forma determinante. "Embora não haja evidências de que o avião tenha entrado em atitude anormal, é possível que o piloto em comando tenha se envolvido em um processo de confusão na interpretação da atitude da aeronave ao adentrar em nuvens pesadas e turbulência, o que pode ter resultado em correções amplas e bruscas dos comandos de voo", destaca o documento.

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