Um helicóptero Bell 430 caiu na Serra Catarinense, resultando na morte do cantor Rick e mais quatro ocupantes, com vídeos de moradores ajudando a reconstruir os momentos finais do voo. O acidente ocorreu em meio a condições meteorológicas adversas, com alerta de tempestades na região.
Relatos de testemunhas indicam que o helicóptero voava mais baixo que o normal, mas não havia sinais visíveis de problemas antes da queda. A investigação está analisando dados da aeronave e vestígios encontrados no local do acidente, além de considerar as condições climáticas como um fator relevante.
A Polícia Científica está utilizando tecnologia avançada, como drones e scanners tridimensionais, para mapear a área do acidente e entender a dinâmica da queda. A investigação continua, com foco na análise da caixa-preta do helicóptero e na possibilidade de falhas humanas ou meteorológicas.
Moradores da Serra Catarinense registraram em vídeo a passagem do helicóptero que caiu e matou o cantor Rick, da dupla Rick & Renner, e outras quatro pessoas. As imagens, exibidas pelo Fantástico, foram feitas pouco antes do acidente e agora ajudam a reconstruir os momentos finais do voo.
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Um dos registros foi feito pelo morador Rodrigo Afonso. Ao relembrar o momento, ele contou que o helicóptero chamou atenção por estar mais baixo do que o habitual ao passar pela região. "Ele saiu daquele morro que fica aqui pra trás, então ele já saiu meio que na altura, mais baixo do que o normal. Isso chamou a atenção da gente", afirmou.
Outro vídeo foi gravado pelo artesão Israel Rosa, que estava a menos de três quilômetros do local onde a aeronave cairia pouco depois. Segundo ele, nada indicava que havia um problema em curso. "Não percebi nada de pane. Não tinha fumaça, o barulho constante normal, a velocidade também", relatou.
As gravações mostram os momentos finais do Bell 430, helicóptero que decolou de Porto Belo com destino a São Joaquim. A bordo estavam o cantor Rick, o empresário Bruno Avelar, o produtor de vídeos Paulo Soares, o comandante Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. Nenhum dos ocupantes sobreviveu.
Além dos relatos dos moradores, a investigação reúne outros elementos para tentar reconstruir a dinâmica do acidente. A Polícia Científica utiliza drones e scanner tridimensional para mapear a área da queda, enquanto especialistas analisam vestígios encontrados entre os destroços e dados extraídos da aeronave.
As condições meteorológicas também estão entre os fatores examinados. Mensagens trocadas entre integrantes da tripulação antes da decolagem mostram preocupação com o avanço de uma frente fria na região serrana. Naquela manhã, a Defesa Civil havia emitido alerta para tempestades severas, com previsão de granizo, ventos fortes e descargas elétricas.
Cinco pessoas morreram
Estavam a bordo o cantor Rick, o empresário Bruno Avelar, o produtor de vídeos Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. O Bell 430 tinha capacidade para até sete passageiros e, segundo a ANAC, estava com a documentação em dia e autorizado para voos noturnos e por instrumentos.
As equipes de resgate levaram mais de 20 horas para localizar a aeronave. O helicóptero caiu em uma área de difícil acesso, em meio à mata fechada, em um trecho da Serra Catarinense a cerca de 1.700 metros de altitude. Para chegar ao local, a equipe do Fantástico refez um trajeto que levou cerca de duas horas e meia de caminhada.
Perícia investiga causas da queda
Imagens obtidas pelo Fantástico mostram os destroços espalhados pela mata. A Polícia Científica utiliza drones e um scanner tridimensional para reconstruir a cena da colisão e analisar a trajetória da aeronave.
Segundo o perito criminal Fernando Henrique Ponzetti, a tecnologia permite simular a entrada do helicóptero na área de mata e analisar características da aeronave e dos destroços. Dos mais de 15 metros de comprimento do Bell 430, restaram pouco mais de três metros após o impacto.
O engenheiro aeronáutico e professor da Poli-USP Jorge Eduardo Leal Medeiros afirmou à reportagem que, pelas características do helicóptero, uma falha mecânica não seria a primeira hipótese analisada. Ele também citou a possibilidade de influência das condições meteorológicas.
Entre os fenômenos que podem ocorrer em regiões montanhosas está o downdraft, ou corrente descendente, quando o ar desce pela encosta e pode empurrar a aeronave para baixo.
O especialista também levantou, de forma preliminar, a possibilidade de falha humana associada ao mau tempo. A hipótese ainda não é uma conclusão sobre as causas do acidente.
A investigação continua. Os responsáveis pelo caso buscam informações na caixa-preta do Bell 430, enquanto a Polícia Científica trabalha na reconstrução da dinâmica da queda.
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