Justiça

"Só os policiais estavam armados", diz testemunha sobre morte de irmãos no Village

27/03/18 - 17h57 - Atualizado em 27/03/18 - 18h30
Letícia Sobreira* / TNH1

Mais uma audiência de instrução e julgamento do caso dos irmãos mortos, além de um pedreiro, crime ocorrido em 2016, no Village Campestre, está sendo realizada nesta terça-feira (27), na 9ª Vara Criminal da Capital, no Fórum do Barro Duro, em Maceió. 

Uma das primeiras testemunhas que prestou depoimento nesta tarde, e preferiu não se identificar por questão de segurança, relatou que presenciou como tudo aconteceu e que os jovens não teriam sacado armas contra os policiais.

“Em nenhum momento os meninos sacaram uma arma. Só os policiais estavam armados”, disse.

A testemunha também detalhou como teria sido a abordagem dos militares e afirmou que os garotos foram agredidos após terem sido revistados pelos policiais.

"Os policiais chegaram, revistaram os garotos e não encontraram nada. Em seguida, eles guardaram as armas e começaram a bater nos meninos. Eu e outras pessoas que estávamos no local começamos a gritar, entre elas, o pedreiro que foi morto.

O acusado do homicídio, o policial militar Johnerson Simões Marcelino, já está no local e deve ser ouvido pelo juiz Geraldo Amorim, titular da 9ª Vara, após o depoimento de mais sete testemunhas. 

O advogado e assistente de acusação, Cláudio Beirão, declarou que espera que o júri seja realizado até o fim deste ano.

“Há uma determinação do TJ para dar prioridade a este processo porque tem réu preso e solicitação de habeas corpus. Acredito que agora o processo vai andar mais rápido e que o julgamento definitivo está mais próximo”, informou.

O caso

De acordo com a versão da PM, os irmãos estariam portando armas e, quando foram abordados, efetuaram disparos contra a viatura, deixando dois policiais feridos. Os adolescentes também teriam sido atingidos na troca de tiros e morreram.

A versão da família dos jovens é que, durante a abordagem, um deles teria tentado pegar uma carteira de uma associação de deficientes físicos, o que teria sido interpretado pela polícia como tentativa de sacar uma arma.