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Sogro furtou carro e pertences de empresária palmeirense durante velório, diz família

Uol | 05/02/21 - 17h53 - Atualizado em 05/02/21 - 18h24
Reprodução / Instagram

A família de Érica Fernandes, empresária palmeirense encontrada morta a facadas dentro de casa na madrugada de domingo (31), em São Paulo, registrou um boletim de ocorrência contra o pai de Leonardo Souza Ceschini, marido da vítima e suspeito pelo crime, por "furto do espólio de Érica". Leonardo, que é corintiano, foi preso em flagrante após confessar ter assassinado a mulher, mãe dos dois filhos gêmeos do casal, de 2 anos, após uma discussão sobre futebol, de acordo com a PM (Polícia Militar). As informações são do UOL. 

No B.O, ao qual o UOL teve acesso com exclusividade, consta que Alexandre Estevam Ceschini levou um veículo Jeep Renegade — de propriedade de Érica —, além de duas TVs, um micro-ondas, uma air fryer, uma panela elétrica e uma cafeteira de dentro do apartamento onde o casal vivia com os filhos, no bairro São Domingos, área nobre da zona norte de São Paulo.

O documento registra ainda que "logo após os trabalhos periciais, uma advogada, que se identificou somente como Alessandra, apoderou-se de vários documentos pessoais de Érica e dos gêmeos Henri e Lorenzo, além do aparelho celular de Érica". Foram levados, segundo parentes da vítima, as certidões de nascimento dos gêmeos, bem como as cadernetas de vacinação deles, além da CNH da vítima.

A família de Érica, que era empresária do ramo de produtos hospitalares, afirma que também deu pela falta de joias.

"Quando abri a caixa de joias dela, notei que tinha muita bijuteria. De valioso, só a aliança dela. Levaram, por exemplo, as duas pulseiras de ouro branco, dos meninos, cada uma com o nome deles", contou Aline Fernandes, irmã de Érica, em entrevista ao UOL. "Não sei exatamente o que foi levado, mas sei que ela tinha joias de ouro, inclusive porque ela tinha alergia a outros materiais."

Segundo a família de Érica, o pai de Leonardo, juntamente com uma pessoa ainda não identificada, agiu no mesmo horário em que era realizado o velório e enterro da empresária, na manhã da segunda-feira (1). "O Alexandre sabia que não ia ter nenhum familiar da Érica no apartamento."

"Meu esposo fez o B.O do furto, que só ficamos sabendo quando fomos limpar o apartamento. Eles tiveram a frieza de pisotear sobre o sangue da Érica, da minha irmã, que estava no chão, pensando apenas em bens materiais", concluiu a irmã da vítima.

Aline gravou um vídeo dos objetos que estavam faltando no apartamento. Rene Luiz Fernandes, tio de Érica, pede por Justiça para a sobrinha e está revoltado com o caso. "Leonardo e o pai demonstraram um completo desapreço pela vida. Fizeram isso tudo depois de 9 anos de casamento, de convivência com minha família, de terem dois filhos. Para eles, a vida não tem o menor valor."

O boletim de ocorrência do assassinato trata o caso como homicídio qualificado, sem citar feminicídio. A SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública) não respondeu ao questionamento da reportagem sobre o nome do delegado responsável e a linha de investigação, que é responsabilidade da 33ª DP (Pirituba).

Defesa se diz impedida de dar declaração

Por telefone, Alessandra Martins Cordeiro se declarou ao UOL "impedida pela OAB [Ordem dos Advogados do Brasil] de dar qualquer declaração sobre o processo", do qual ela afirmou fazer parte do corpo de advogados constituído.

Questionada sobre ter se apropriado de documentos pessoais de Érica e dos gêmeos e do celular da vítima, Alessandra afirmou apenas: "Não posso dar qualquer declaração."

Segundo a família de Érica, a advogada da defesa se apresentou como prima de Leonardo Ceschini e recusou-se a devolver o celular da vítima quando solicitada pela família, logo após o fim da perícia no apartamento.

Alessandra teria dito que iria "devolver o celular à autoridade policial no momento oportuno". Dias depois, procurada novamente por parentes de Érica, Alessandra teria informado outra versão, indicando "não estar de posse do celular".