O casal de cariocas que denunciou caso de racismo durante atendimento médico em uma clínica na Ponta Verde, bairro da área nobre de Maceió, contou ao TNH1 neste sábado, 19, como ocorreu a situação. O fato foi registrado pela Polícia Militar na tarde dessa sexta-feira, 18.
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Rafael Gonzaga de Freitas, 47, é jornalista autônomo e a esposa, que tem 48 anos, é técnica de enfermagem. Os dois são pessoas negras, nascidos no Rio de Janeiro e moram em Maceió há oito anos.
Eles chegaram na clínica por volta das 13h30 para uma consulta médica agendada às 14h30. Essa era a primeira vez que eles iam nesse local para um tratamento de reumatologia. Pela condição de saúde dos dois (Pessoa com Deficiência), o casal informou à recepção o pedido de prioridade no atendimento médico.
De acordo com o relato de Rafael, onde era para estar apontado no monitor o número do consultório (ex.: 01, 02, 03), começou a aparecer na tela da recepção termos como 'cafofo' e 'sala vip'. Na vez da esposa, surgiu o nome 'Cativeiro 01'.
"Ele (médico) disse que era sexta-feira, pra descontrair, brincadeira, nem sabia que essa palavra era ruim. Cativeiro remete a animal, macaco ou escravizados, só coisa ruim. Fomos atendidos porque preferi garantir a saúde da minha esposa que estava com muita dor", afirmou.
Veja o registro detalhado no boletim de ocorrência:
"Após o atendimento do último paciente antes dela (esposa), viu que o médico foi até a recepção, olhou para os pacientes que estavam aguardando, falou alguma coisa com a recepcionista e voltou para a sala dele. Pouco tempo depois, viu no painel o seu nome, o nome do médico que a atenderia e, no ícone da sala: 'Cativeiro 01'. Ficou sem acreditar no que estava lendo. Se dirigiu até a recepcionista, junto ao esposo, perguntaram o que era aquilo no painel e quem tinha escrito. A recepcionista disse que não tinha sido ela e não sabia quem tinha feito isso. Nesse momento, o médico apareceu na porta do consultório, ouviu a conversa com a recepcionista e disse: 'Fui eu quem escreveu no painel, mas foi uma brincadeira para descontrair. O esposo respondeu ao médico: 'Isso não é brincadeira para descontrair, isso é racismo recreativo. Cativeiro era utilizado para denominar o local para onde os negros escravizados eram colocados'".
No boletim de ocorrência, a mulher disse que ficou muito nervosa, constrangida e abalada, e que falou ao médico que isso não era brincadeira. O médico a chamou para o consultório, pediu desculpas e pediu também para acompanhar o atendimento. Nesse meio tempo, o documento registra ainda que pessoas na recepção teriam relativizado o caso como "mi-mi-mi". Um médico fisioterapeuta da clínica retirou o casal do foco da confusão e conversou de maneira acolhedora.
O caso agora será investigado pela Polícia Civil de Alagoas. Rafael informou que já constituiu defesa e vai com o advogado para o Complexo de Delegacias Especializadas (CODE) na próxima segunda-feira, 21.
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