Alagoas

TJ e Defensoria firmam parceria para atender "superendividados" em AL

Da redação, com assessoria | 07/10/21 - 14h32 - Atualizado em 07/10/21 - 14h39
Solenidade parcialmente presencial marcou assinatura de cooperação com a Defensoria | Adeildo Lobo

O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) assinou um Termo de Cooperação com a Defensoria Pública do Estado para a implantação do Projeto de Atendimento e Tratamento do Consumidor Superendividado, em solenidade nesta quinta-feira (7). Da parte do Judiciário, o projeto será conduzido pelo 11º Juizado Especial Cível, que tem como titular a juíza Sandra Janine. A iniciativa deverá promover acordos entre credores e devedores que não têm condições de quitar suas dívidas de outra forma, dando efetividade à Lei 14.181/2021, sancionada em julho.

“É um marco”, avalia o presidente do TJAL, Klever Loureiro. “Vamos solucionar os conflitos dessas pessoas vulneráveis, diminuindo a quantidade de processos no Judiciário e procedimentos na Defensoria Pública, já que isso vai inibir abusos. É um conjunto de ações que fortalece o Poder Judiciário e a Defensoria”.

De acordo com a defensora Norma Suely Negrão, que atua no Setor de Defesa do Consumidor, este é um tema ao qual a Defensoria é muito sensível. “É uma situação tal que as pessoas perdem o protagonismo de suas vidas. Estamos diante de uma nova legislação, que trará um novo comportamento da sociedade. A própria lei estabelece a necessidade de inclusão desse devedor”.

Para o desembargador Tutmés Airan, por sua vez, a nova legislação faz Justiça ao dar condições de recuperar pessoas de forma semelhante ao que ocorre judicialmente às empresas em dificuldade.

“Não é uma homenagem ao devedor contumaz, ao preguiçoso, ou coisa que o valha. É exatamente o contrário. É proteger a pessoa que está com a corda no pescoço, mas é honesta e procura o Estado para conseguir pagar. É preciso encontrar uma alternativa para ela”, disse Tutmés, que é coordenador do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec).

Já o defensor público-geral Carlos Eduardo Monteiro ressaltou que a cooperação “sela mais uma vez a ótima relação que existe entre Defensoria e Tribunal de Justiça”, avaliando que a parceria significa “o resgate da dignidade dos alagoanos endividados, principalmente o pobre que se endivida para pagar um gás e até para se deslocar”.

Também presende à solenidade, a juíza Sandra Janine parabenizou todos os envolvidos na concretização da parceria. “É um sonho que vai trazer muitos benefícios à sociedade. O Tribunal está de parabéns. Nosso estado certamente será pioneiro na operacionalização da Lei. Damos um passo à frente com a assinatura desse termo”.

Cooperação

O Termo prevê que o Judiciário se comprometa a estruturar um ambiente exclusivo para o projeto, no 11º Juizado Especial, com pelo menos um servidor e um estagiário disponível para atendimento. Já a Defensoria assumirá o compromisso de disponibilizar instalações físicas para o funcionamento da Seção de Defesa do Consumidor Superendividado, além de equipe para atendimento.

O projeto prevê audiências individuais com os credores e uma audiência coletiva envolvendo todos os credores da pessoa superendividada, a fim de concretizar uma conciliação.  O 11º poderá homologar conciliações conduzidas pela Defensoria.

Conforme a definição presente no próprio Termo, superendividado é um consumidor que passou por um “acidente de vida”, uma situação ocorrida depois que o indivíduo já havia adquirido dívidas, impossibilitando a quitação. É o chamado superendividamento passivo.

Há ainda o superendividamento ativo, quando o consumidor contrata mais crédito do que permitia o seu orçamento, devido à facilidade de oferta de crédito no mercado.