Treinar descalço ou de tênis? Veja 7 cuidados antes de seguir a prática de Virgínia Fonseca

Médico explica em quais exercícios treinar descalço pode fazer sentido e quando o uso de calçados adequados é importante

Publicado em 10/09/2026, às 11h00
Treinar descalço não é indicado para todo mundo e a escolha depende de uma série de condições (Imagem: baranq | Shutterstock)
Treinar descalço não é indicado para todo mundo e a escolha depende de uma série de condições (Imagem: baranq | Shutterstock)

Por Redação EdiCase

Virgínia Fonseca chamou atenção nas redes sociais ao aparecer fazendo exercícios de musculação completamente descalça. A cena levantou uma dúvida comum entre quem frequenta a academia: afinal, treinar sem tênis pode melhorar a execução dos movimentos ou aumentar o risco de lesões?

Em alguns exercícios de força, como agachamentos e levantamento terra, há quem prefira treinar sem tênis em busca de uma base mais firme e maior contato com o solo. Isso, porém, não significa que abrir mão do calçado seja a melhor escolha para todas as pessoas.

Sabendo disso, o médico do Exercício e do Esporte Dr. Guilherme Moury Fernandes explica sete pontos importantes antes de decidir copiar a prática:

1. Entenda que treinar descalço não é automaticamente melhor

O primeiro erro é acreditar que retirar o tênis torna qualquer exercício mais eficiente. “Treinar descalço não é automaticamente melhor ou pior. Em determinados exercícios de força, ter uma base mais estável pode favorecer a percepção do apoio dos pés e o controle do movimento. Por outro lado, isso não significa que retirar o tênis seja indicado para qualquer pessoa ou qualquer modalidade”, explica Guilherme Moury Fernandes.

2. Observe o tipo de tênis usado na musculação

Nem sempre o problema é usar tênis, mas qual tênis está sendo utilizado. Modelos muito macios e com bastante amortecimento podem não oferecer a mesma sensação de estabilidade necessária para determinados exercícios de força.

“Em exercícios de força, estabilidade é fundamental. Dependendo do movimento, um calçado excessivamente amortecido pode criar uma base menos firme. Isso explica por que algumas pessoas preferem treinar descalças ou utilizar calçados específicos, com solado mais estável”, afirma o médico do Exercício e do Esporte.

3. Não aplique a mesma estratégia em todos os exercícios

Fazer um agachamento sem tênis é diferente de correr ou executar uma sequência de saltos. Cada atividade impõe demandas específicas aos pés, tornozelos e demais articulações. “Não podemos transformar uma estratégia utilizada em um exercício específico em regra para o treino inteiro. Corrida, saltos e atividades com deslocamentos apresentam demandas diferentes”, alerta o médico.

4. Considere seu histórico de lesões antes de tirar o tênis

O fato de Virgínia ou qualquer outra pessoa conseguir realizar determinados movimentos sem calçados não significa que essa escolha seja adequada para todos. “Histórico de lesões, mobilidade, anatomia dos pés e capacidade de adaptação precisam ser considerados. A escolha deve estar relacionada tanto à biomecânica do exercício quanto às características daquela pessoa”, explica Guilherme Moury Fernandes.

Homem jovem realizando agachamento descalço com kettlebell em uma sala de treino iluminada por luz natural. Veste regata cinza e bermuda escura. Ao fundo, piso amadeirado, duas bolas de pilates na cor rosa-queimado e uma barra com anilhas no chão
Retirar o tênis não é suficiente para fortalecer os pés ou proteger contra futuras lesões (Imagem: Krakenimages.com | Shutterstock)

5. Não confunda treinar descalço com fortalecer automaticamente os pés

Outra ideia que merece cuidado é acreditar que simplesmente retirar o tênis seja suficiente para fortalecer os pés ou proteger contra futuras lesões. “Não é porque o pé está livre que automaticamente estamos fortalecendo mais ou prevenindo lesões. Dependendo do indivíduo e do exercício, pode existir benefício, neutralidade ou até aumento de sobrecarga. A progressão precisa respeitar a capacidade de cada pessoa”, destaca Guilherme Moury Fernandes.

6. Lembre-se que o tênis também protege

Na academia, o calçado não interfere apenas na execução dos movimentos. Ele também cria uma barreira de proteção para os pés em um ambiente com pesos, equipamentos e circulação constante de pessoas. Por isso, mesmo quando determinado exercício pode ser realizado descalço, é preciso avaliar se o próprio ambiente oferece condições seguras para isso. “Segurança não envolve apenas a biomecânica. O contexto em que aquele exercício está sendo realizado também precisa ser considerado”, ressalta o médico.

7. Não copie o treino de Virgínia apenas porque viu nas redes

Vídeos fitness mostram poucos segundos de uma rotina que pode envolver acompanhamento profissional, planejamento e adaptações individuais que não aparecem diante da câmera. “Quando vemos alguém treinando nas redes sociais, não sabemos necessariamente quais avaliações foram realizadas, qual é o histórico daquela pessoa ou por que determinado exercício está sendo executado daquela maneira. O que funciona para uma pessoa não deve ser automaticamente reproduzido por outra”, afirma.

Segundo o Dr. Guilherme Moury Fernandes, a questão, portanto, não deveria se limitar a definir se treinar descalço faz bem ou mal. “Antes de decidir entre tênis ou pés descalços, precisamos perguntar qual exercício será realizado, qual é o objetivo e quem é a pessoa que está executando. Na musculação, detalhes aparentemente simples podem modificar estabilidade e mecânica do movimento. A melhor escolha é aquela que oferece segurança e eficiência para aquele praticante”, conclui.

Por Sarah Carvalho

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