Jornalista Roseann Kennedy:
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"As manifestações do 7 de Setembro serão um termômetro político para o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, definir como conduzir, a partir de agora, o confronto direto entre Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Fachin precisa resolver se dará encaminhamento a um pedido para afastar Moraes da Corte e para investigar o magistrado por suas relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Além disso, o que fará com a acusação de abuso de autoridade que Moraes fez contra Mendonça.
Por ora, o presidente do STF só dá sinais de que vai finalmente exigir o encerramento do inquérito das fake news. E nos bastidores do Supremo corre que ele pode tirar de Mendonça a relatoria dos casos Master e INSS.
A Corte implodiu na última semana após Mendonça derrubar o sigilo das mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os diálogos expõem suspeitas de que o ministro cometeu crimes como corrupção, advocacia administrativa e exploração de prestígio.
Mas, em vez de prestar esclarecimentos sobre o teor das conversas, Moraes usou o inquérito das fake news para acusar o colega de crime de responsabilidade e abuso, baseando-se em um documento apócrifo, sem cabeçalho oficial da Polícia Federal e classificado como relatório interno 'sem valor probatório'.
A investida de Moraes, enrolado até as cordas nas relações com o ex-banqueiro, ameaça destruir a estrutura do STF prevista pela Constituição brasileira. No entanto, ele agiu dessa forma por saber que conta com uma maioria de aliados no plenário, respaldada por seus fiéis escudeiros indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva — Flávio Dino e Cristiano Zanin —, além de Gilmar Mendes.
Mendonça, por sua vez, atua em um grupo minoritário e conta apenas com o apoio de Luiz Fux. Sem força interna suficiente, a aposta de interlocutores de Mendonça é que o engajamento popular do 7 de Setembro sirva de alavanca para pressionar os ministros cujos votos hoje são incógnitas: Cármen Lúcia, Nunes Marques e Dias Toffoli.
Quando decidiu levantar o sigilo, Mendonça confidenciou a pessoas próximas que adotou a medida para evitar que a sujeira fosse jogada para debaixo do tapete. Enquanto tomava a decisão, segundo apurou a Coluna, Mendonça expressou a interlocutores uma convicção: 'Se isso não for de interesse público, o que mais será?'.
Inicialmente, os atos de 7 de Setembro, que se consolidaram como referência do bolsonarismo nos últimos anos, estavam sendo organizados como o grande evento de campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. No momento há dúvidas se ganhará outra dimensão e envolverá eleitores de outras vertentes políticas.
Logo após a queda do sigilo das mensagens, Flávio usou as redes sociais para convocar manifestações na Avenida Paulista sob o lema 'Fora Lula, Fora Moraes'. Conforme a crise no STF escalou, o movimento incorporou as bandeiras de apoio a André Mendonça e pelo 'fim da ditadura do Judiciário'."
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