Vacina da dengue suspensa: veja as diferenças entre os imunizantes do Butantan e da Takeda

Publicado em 09/06/2026, às 14h37
Instituto Butantan
Instituto Butantan

Por O Tempo

O Ministério da Saúde do Brasil continua a imunização contra a dengue com a vacina Qdenga, após suspender preventivamente a Butantan-DV para investigar eventos adversos raros. Essa decisão ocorre em um contexto de significativa redução de casos e mortes pela doença no país.

Desde a introdução da Qdenga no SUS em 2024, cerca de 8 milhões de doses foram aplicadas, resultando em uma queda de 97% nos óbitos e 94% nos casos prováveis até maio de 2024. Ambas as vacinas visam proteger contra os quatro sorotipos do vírus da dengue, mas diferem em esquema de doses e características.

A suspensão da Butantan-DV foi motivada por notificações de reações graves, embora a incidência seja considerada muito baixa. Especialistas defendem que a ação rápida do governo é um protocolo adequado de segurança, enquanto investigações sobre a relação entre a vacina e os eventos adversos estão em andamento.

Resumo gerado por IA

O Ministério da Saúde afirmou que as ações de imunização contra a dengue continuam em andamento no Brasil com a aplicação da vacina Qdenga, produzida pela farmacêutica japonesa Takeda. O esclarecimento ocorre após a pasta anunciar, nesta segunda-feira (8/6), a suspensão preventiva da Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan, para investigar relatos de eventos raros adversos.

Segundo o governo federal, o Sistema Único de Saúde (SUS) segue oferecendo a Qdenga regularmente para o público de 10 a 14 anos. Desde a sua incorporação à rede pública, no fim de 2024, cerca de 8 milhões de doses já foram administradas no país, apresentando impactos visíveis no controle epidemiológico da doença. Conforme a pasta, até 30 de maio deste ano, o Brasil registrou uma redução de 97% nos óbitos e de 94% nos casos prováveis em relação ao mesmo período de 2024.

Ambas as vacinas foram desenvolvidas para proteger o organismo contra os quatro sorotipos existentes do vírus (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). No entanto, os imunizantes possuem características estruturais e estratégias de administração distintas.

Esquema vacinal e público-alvo

A principal diferença prática entre os dois imunizantes está no número de doses necessárias para completar o ciclo de proteção:

Qdenga (Takeda): O esquema vacinal exige a aplicação de duas doses, com um intervalo de 90 dias entre elas. O imunizante recebeu o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março de 2023 e é indicado para pessoas de 4 a 60 anos, tenham elas já contraído dengue antes ou não.

Butantan-DV (Butantan): O grande diferencial do produto nacional é a proteção em dose única. Aprovada pela Anvisa para a faixa etária de 12 a 59 anos, a vacina é composta pelos quatro vírus vivos atenuados (enfraquecidos), projetada para gerar anticorpos sem causar a doença. Atualmente, vinha sendo aplicada de forma restrita em profissionais de saúde da Atenção Primária do SUS.

Isabella Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que, do ponto de vista do funcionamento no organismo, os produtos são equivalentes. "Em relação à indicação, à eficácia, as duas são muito semelhantes. Em termos de estudo, ambas mostraram segurança durante os ensaios clínicos e cumpriram os requisitos da OMS de, no mínimo, quatro anos e meio de pesquisa antes de obterem o registro sanitário. A da Takeda teve mais tempo de estudo", acrescenta Ballalai.

Mesma tecnologia, bases diferentes

Embora utilizem o mesmo princípio de vírus atenuado, as vacinas diferem na formulação laboratorial de suas bases. "Estruturalmente são vacinas diferentes, com mesma tecnologia, mas diferentes. As duas são seguras, podendo ter diferenças de reação entre um e outro imunizante", detalha a diretora da SBIm.

Rapidez na suspensão é medida de segurança, diz especialista

A interrupção na aplicação da Butantan-DV foi motivada pela notificação de reações graves inesperadas. A diretora da SBIm pondera que a taxa de incidência desses episódios é extremamente baixa na população, mas defende a agilidade do monitoramento governamental.

"Apesar de gravíssimos, os eventos adversos com a vacina do Butantan foram muito raros, 0,008%, isso é muito baixo. Vale ressaltar que a relação de causa com a vacina ainda não está definida", esclarece a médica.

Para a especialista, a retirada temporária do produto do mercado, mesmo antes de um laudo conclusivo, cumpre os protocolos corretos de farmacovigilância e visa resguardar a segurança coletiva.

"Ninguém está acostumado com o Ministério anunciar a suspensão tão precocemente, mas essa é a maneira correta de agir. Então, vamos torcer até para receber uma notícia de que não, não foi a vacina que causou a morte dessas pessoas. É isso que precisa de investigação. E é isso que o Ministério vai fazer agora", conclui Isabella. 

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