APLV durante a amamentação: restrições alimentares e desmame precoce preocupam especialistas

Publicado em 05/08/2026, às 10h10
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Por Assessoria Comunique-se

Cólicas, refluxo e irritabilidade em bebês frequentemente levam mães a suspeitar de alergia à proteína do leite de vaca (APLV), o que pode resultar em restrições alimentares inadequadas e até interrupção da amamentação.

O diagnóstico de APLV não deve ser feito de forma apressada, pois sintomas como refluxo e cólicas podem ter diversas causas e não necessariamente indicam alergia, o que pode gerar dietas restritivas e ansiedade nas mães.

Especialistas recomendam que a retirada de leite e derivados da dieta materna seja feita com orientação profissional, garantindo a saúde da mãe e do bebê, especialmente durante o Agosto Dourado, que promove a amamentação.

Resumo gerado por IA

Cólicas, refluxo, alterações nas fezes, irritabilidade e manifestações na pele estão entre as situações que mais preocupam mães nos primeiros meses de vida. Quando esses sintomas aparecem durante a amamentação, uma suspeita cada vez mais comum surge entre as famílias: a alergia à proteína do leite de vaca (APLV).

O problema é que, diante da possibilidade de alergia, muitas mães acabam retirando leite e derivados — e, em alguns casos, diversos outros alimentos — da própria alimentação sem orientação profissional. Outras chegam a interromper a amamentação por acreditar que o leite materno pode estar fazendo mal ao bebê.

No entanto, segundo o alergista e imunologista Renato Praxedes, o diagnóstico de APLV não significa automaticamente o fim do aleitamento materno.

“A amamentação pode ser mantida em muitos casos. Quando existe uma relação entre a ingestão de leite de vaca pela mãe e os sintomas apresentados pelo bebê, pode ser necessária uma dieta de exclusão, mas ela deve ser indicada e acompanhada. O mais importante é não transformar uma suspeita em uma série de restrições sem confirmação”, explica.

Nem todo sintoma é APLV

Um dos principais desafios é justamente diferenciar a APLV de manifestações comuns da primeira infância. Refluxo, gases, cólicas e alterações intestinais podem ter diferentes causas e, isoladamente, não são suficientes para confirmar uma alergia alimentar.

“Existe hoje uma preocupação muito grande com a APLV, mas também existe o risco de atribuir qualquer sintoma do bebê à alergia. Isso pode levar a dietas extremamente restritivas para a mãe, ansiedade e até interrupção desnecessária da amamentação”, alerta Praxedes.

O especialista destaca que a investigação deve ser individualizada e considerar o conjunto de sinais apresentados pela criança, sua evolução e sua relação com a alimentação.

Quando a alimentação da mãe entra em cena?

Em bebês com APLV que estão em aleitamento materno exclusivo, determinadas proteínas presentes na alimentação materna podem passar para o leite materno e, em alguns casos, desencadear reações.

Quando essa relação é identificada, a orientação pode envolver a retirada do leite de vaca e de seus derivados da dieta da mãe. A medida, entretanto, deve ser acompanhada para garantir que a mulher continue recebendo os nutrientes necessários.

“Não basta simplesmente dizer para a mãe ‘retire o leite’. É preciso orientar, acompanhar e avaliar a resposta do bebê. A saúde materna também precisa ser considerada durante esse processo”, ressalta.

Agosto Dourado: informação também protege a amamentação

A discussão sobre APLV ganha força durante o Agosto Dourado, mês dedicado à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno.

Para Praxedes, levar informação correta às famílias é uma forma de proteger a amamentação e evitar condutas precipitadas.

“Quando uma mãe recebe um diagnóstico ou uma suspeita de APLV, ela precisa de orientação, não de culpa. O objetivo é tratar a criança, preservar sempre que possível o aleitamento e garantir que a mãe também esteja bem nutrida e segura durante esse processo.”

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