Vice que deve assumir Presidência do Paraguai também é acusado de envolvimento em escândalo

Publicado em 05/11/2026, às 15h39
Pedro Alliana - Reprodução / Instagram
Pedro Alliana - Reprodução / Instagram

Por Folhapress

Pedro Alliana, atual vice-presidente do Paraguai, deve assumir a presidência após a renúncia de Santiago Peña, que ocorreu em meio a um escândalo bancário que resultou em protestos massivos e pedidos de impeachment contra ambos.

Alliana é acusado de proteger o Ueno Bank e ignorar alertas sobre irregularidades, mas a Câmara dos Deputados rejeitou o pedido de impeachment contra ele, permitindo sua ascensão ao cargo até 2028.

Com uma longa trajetória política, Alliana já havia anunciado sua pré-candidatura à presidência em 2028, mas decidiu pausar seus planos para ajudar a resolver a crise financeira que afeta o país.

Resumo gerado por IA

Vice de Santiago Peña, o presidente do Paraguai que renunciou nesta quinta-feira (5), Pedro Alliana deve assumir o governo no país sul-americano mesmo acusado de ser cúmplice no escândalo que provocou a queda de seu correligionário.

A Constituição paraguaia estabelece que, em caso de renúncia do presidente, o vice assume o cargo sem a necessidade de uma nova eleição presidencial. Em tese, portanto, Alliana ocupará a Presidência com mandato até agosto de 2028, quando um novo pleito deverá ser realizado.

A eventual chegada de Alliana ao cargo de chefe do Executivo não significa que ele esteja livre das acusações relacionadas ao escândalo bancário que derrubou Peña. Em 4 de novembro, 35 deputados da oposição apresentaram pedidos de impeachment contra presidente e vice por suposto envolvimento em irregularidades relacionadas à instituição financeira.

A queda de Peña ocorreu após denúncias de fraude envolvendo o Ueno Bank, um dos principais bancos digitais do país, com 2,9 milhões de clientes, numa crise que abalou o país e motivou protestos massivos. O presidente apresentou a renúncia enquanto os deputados discutiam o processo de destituição.

No caso de Alliana, os parlamentares o acusam de ter atuado para proteger de forma política o banco, de ter respaldado a aplicação de recursos previdenciários na instituição e de ter ignorado alertas sobre operações de crédito relacionadas ao caso.

Antes da renúncia de Peña, até mesmo a base governista anunciou que votaria a favor de seu impeachment, o que abriria caminho para que a acusação fosse aprovada por unanimidade.

Nesta quinta, contudo, horas após a renúncia do presidente, a Câmara dos Deputados rejeitou por 48 votos a 30 o pedido de impeachment contra Alliana, abrindo caminho para que ele assuma a Presidência.

Aos 52 anos, o político do Partido Colorado tem uma trajetória de mais de duas décadas na vida pública paraguaia, com passagens pela Câmara dos Deputados, pelo governo regional e pela direção da principal legenda política do Partido Colorado, legenda conservadora que domina a política paraguaia há décadas.

Nascido em 19 de fevereiro de 1974, Alliana ganhou projeção em 2008, quando foi eleito governador da região de Ñeembucú, cargo que ocupou até 2012. No ano seguinte, chegou à Câmara dos Deputados, onde permaneceu por dez anos. Durante esse período, presidiu a Casa em várias ocasiões e comandou o Partido Colorado de 2015 a 2023.

Em 2023, integrou a chapa de Santiago Peña, eleita para comandar o país. Como vice-presidente, passou a desempenhar funções de representação institucional e diplomática. Entre suas atividades recentes estão encontros com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu.

Em abril de 2026, Alliana confirmou sua pré-candidatura à Presidência nas eleições de 2028, com apoio de Peña. No entanto, em 2 de novembro, diante do agravamento da crise do Ueno Bank, anunciou que colocaria o projeto eleitoral em pausa para ajudar o governo a encontrar uma solução para os problemas financeiros.

Gostou? Compartilhe