Pesquisadores descobriram que a Grande Pirâmide do Egito resiste a terremotos devido à sua vibração em frequências diferentes do solo, o que minimiza a absorção de energia sísmica e garante sua estabilidade ao longo dos milênios.
Estudos mostraram que a pirâmide vibra entre 2 e 2,6 vezes por segundo, enquanto o solo ao redor oscila a uma frequência muito menor, reduzindo o risco de ressonância que poderia causar danos significativos durante tremores.
Além disso, a estrutura interna da pirâmide, com câmaras de alívio de pressão, contribui para a dissipação das vibrações, destacando a sofisticação arquitetônica dos antigos egípcios e suas implicações para a engenharia moderna.
Construída sobre o planalto rochoso de Gizé há cerca de 5 mil anos, a Grande Pirâmide do Egito atravessou guerras, invasões e até mesmo intensos terremotos. Pesquisadores acreditam ter solucionado um dos principais mistérios por trás dessa resistência: a capacidade da estrutura de escapar da ressonância sísmica que costuma destruir edifícios durante grandes tremores.
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O estudo, publicado nesta quinta-feira (21) na Scientific Reports, revelou que a pirâmide vibra em frequências diferentes da vibração do solo ao redor. Essa diferença impede que a construção absorva de maneira excessiva a energia liberada pelos terremotos. Somadas ao formato geométrico robusto e ao sistema interno de distribuição de peso, essas características ajudaram o monumento a permanecer estável por milênios.
Segundo os pesquisadores, a descoberta ajuda a explicar por que a Grande Pirâmide sofreu apenas danos mínimos mesmo após terremotos relativamente fortes registrados no Egito, incluindo um sismo de magnitude 6,8 em 1847 e outro de magnitude 5,8 em 1992.
Terremotos no Egito?
Apesar de o Egito não estar localizado em uma das regiões sísmicas mais ativas do planeta, os tremores ocasionais sempre representaram uma ameaça para estruturas monumentais. Não à toa que a sobrevivência da pirâmide intrigava engenheiros e arqueólogos há décadas.
Para investigar a origem dessa estabilidade, uma equipe de pesquisa monitorou vibrações microscópicas em 37 pontos dentro e ao redor da Grande Pirâmide. Em vez de provocar artificialmente oscilações na estrutura, os cientistas aproveitaram pequenas perturbações naturais geradas por ondas oceânicas distantes, tráfego urbano e atividades humanas cotidianas.
As medições mostraram que, em cerca de três quartos dos pontos analisados dentro da pirâmide, a estrutura oscilava naturalmente entre 2 e 2,6 vibrações por segundo. O solo ao redor, entretanto, apresentava frequências significativamente menores, vibrando pouco mais de uma vez a cada dois segundos.
Essa diferença revelou um detalhe importante. Quando solo e estrutura compartilham frequências semelhantes, a energia sísmica tende a ser amplificada, o que pode aumentar drasticamente os danos estruturais durante um terremoto. No caso da Grande Pirâmide, no entanto, a incompatibilidade entre as frequências naturais reduziu significativamente a possibilidade de ressonância.
Outro fator identificado pelos pesquisadores está escondido no interior da construção. Acima do espaço funerário do monumento, os antigos egípcios construíram uma série de câmaras de alívio de pressão. Antes, elas eram interpretadas como mecanismos para redistribuir o peso colossal da estrutura, mas, agora, essas cavidades parecem também desempenhar um papel importante na dissipação das vibrações sísmicas.
Ancorados ao solo, os edifícios tendem a apresentar oscilações mais intensas nos níveis superiores. Na Grande Pirâmide, porém, o comportamento estrutural foi parcialmente mitigado pela combinação entre geometria, massa e compartimentação interna.
Ainda que a pesquisa não permita afirmar se os antigos egípcios possuíam conhecimento explícito sobre dinâmica sísmica, os autores destacam que a combinação de escolhas estruturais acabou produzindo um monumento extraordinariamente resiliente. A conclusão reforça que as grandes obras do Egito Antigo não eram apenas símbolos religiosos ou políticos, mas também projetos arquitetônicos sofisticados.
Compreender os mecanismos que permitiram à pirâmide sobreviver por milênios pode influenciar inclusive a engenharia contemporânea. “Quando projetamos nossos edifícios, pensamos em 100 ou 500 anos”, observou o Mohamed ElGabry, do Instituto Nacional de Pesquisa de Astronomia e Geofísica do Egito, em comunicado. “Mas, para construir algo que sobreviva muito além disso, é importante entender como esse edifício conseguiu permanecer de pé”.
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