A sala de estar de uma casa suburbana no norte de Nova Jersey era, em 2019, o quartel-general de uma revolução ambiental. Numa mesa de centro, um menino de 10 anos desenhava com giz de cera o que seria, meses depois, uma das maiores campanhas de reciclagem de baterias do planeta.
O nome do projeto já estava decidido como Recycle My Battery e sua missão era impedir que pilas descartadas de forma inadequada envenenassem o solo e a água em todo o mundo.
Já o nome de quem está por trás do projeto é o do garoto Sri Nihal Tammana, e a pergunta que o moveu desde o início é a mesma que ele ainda repete em entrevistas: “E se cada bateria que jogamos no lixo estiver, literalmente, envenenando a terra onde nossos filhos vão brincar?”
O gatilho do projeto
Tammana, então no quinto ano, ouviu de um familiar o relato de uma bateria de íon-lítio que havia explodido dentro de uma planta de descarte de resíduos nos Estados Unidos. O incidente, que poderia ter causado um incêndio de grandes proporções, o assustou e o fez pesquisar sobre o assunto.
Ao pesquisar, ele descobriu que baterias alcalinas, ao se decomporem em aterros, liberam substâncias que elevam o pH do solo a níveis tóxicos, chegando a 13,01, uma alcalinidade que destrói microrganismos e contamina aquíferos subterrâneos.
Baterias de lítio, por sua vez, representam risco de incêndio e liberam metais pesados. E, na época, a maioria das baterias descartadas nos EUA simplesmente não tinha destino certo: acabava no lixo comum.
“Eu tinha 10 anos, mas entendi que não existia ninguém fazendo isso em escala”, lembra Tammana. “Então decidi ser esse alguém.”
Da garagem para o mundo
Tammana, com apoio da família, começou a instalar contêineres gratuitos de coleta de baterias em escolas, bibliotecas e pequenas empresas da região de Monroe. No início, a logística contava com um contêiner lacrado, uma placa com instruções e um voluntário para esvaziar periodicamente.
A campanha começou como o “Battery Challenge” (Desafio da Bateria), um jogo entre escolas: quem coletasse mais baterias em um período determinado ganharia um troféu. No entanto, o que era uma brincadeira entre colegas de classe virou competição interestadual. Mais de 300 mil baterias foram recolhidas apenas nessa primeira campanha.
O salto internacional veio com a parceria com a B-cycle, maior recicladora de baterias da Austrália. A empresa adotou o modelo da Recycle My Battery em escolas australianas, e o movimento ganhou um segundo continente. Hoje, a rede conta com:
| Métrica | Números |
| Baterias coletadas (acumulado) | ~900.000 |
| Baterias recicladas | 625.000+ |
| Jovens voluntários | 1.000+ |
| Pessoas alcançadas por ações educativas | 85 milhões+ |
| Pontos de coleta instalados | 1.000+ |
| Países com atuação | 5+ |
Além disso, agora aos 15 anos, Tammana já olha para o próximo problema. O projeto Residual Charge busca resolver outro problema do setor que é o fato de que as plantas de reciclagem de baterias consomem muita energia para operar, e parte dessa energia vem de fontes fósseis.
A nova ideia de jovem é extrair a energia residual das baterias e usá-la para alimentar o próprio processo de reciclagem. “Se a gente consegue pegar a energia que sobra na bateria e usá-la para reciclar a bateria, o ciclo se fecha. bateria vira a sua própria usina, pelo menos até o fim do processo”, disse.
O projeto está em fase de prototipagem, com apoio de engenheiros voluntários e de universidades. Se funcionar em escala, poderia reduzir significativamente a pegada de carbono da reciclagem de baterias.





