A pior seca já vivida pela América Central devastará, até 2027, comunidades inteiras do Corredor Seco, região que atravessa Guatemala, El Salvador, Nicarágua e Costa Rica, segundo projeções divulgadas pela ONU.
O El Niño é um fenômeno que altera os padrões climáticos globais a cada dois a sete anos.
Eleva as temperaturas no Pacífico equatorial e muda os ventos e as chuvas, agravando condições meteorológicas já instáveis.
Mais de 10 milhões de pessoas vivem nessa faixa e, segundo a ONU, 80% são pequenos produtores rurais em situação de pobreza.
Seca causada pelo El Niño se agrava na América Central e ameaça lavouras, animais e abastecimento
Lavouras desaparecem, rebanhos inteiros morrem por falta de alimento e água, e as comunidades reduzem refeições para economizar alimentos que já não conseguem plantar.
A ONU projeta que 49 milhões de pessoas enfrentarão fome aguda até o fim de 2027 por causa do fenômeno.
Agricultores e pecuaristas relataram a imprensa local que viram o campo transformado em um cemitério de ossadas de gado quando deveria estar coberto de milho nesta época do ano.
Administradores de reservatórios em El Salvador relatam combinação de esvaziamento da água e falta de alimentos. O termômetro já alcançou 42°C na região.
Em Cunén, Guatemala, uma líder indígena disse para a agência AFP que todas as colheitas de milho serão perdidas, agravando um quadro que o país já enfrenta com sérios problemas de desnutrição infantil.
A escassez de água forçou comunidades inteiras a abandonar atividades como a criação de tilápias e reservar o recurso apenas para necessidades básicas de sobrevivência.
Os efeitos também atingem infraestruturas críticas: o canal interoceânico do Panamá, que depende de Água Doce, já reduziu significativamente o trânsito de navios.
Em San Lorenzo, Honduras, centenas de vacas morreram nos últimos meses, forçando pecuaristas a vender rebanhos por preços muito baixos.
Segundo meteorologistas, o El Niño atingirá seu auge no fim deste ano, com os piores impactos ocorrendo em 2027.
Duplo golpe e resposta insuficiente
A região enfrenta um duplo desafio: o El Niño intenso combinado com redução no abastecimento de fertilizantes e sementes híbridas por causa do conflito no Estreito de Ormuz, ampliando a crise alimentar.
Embora governos tenham declarado estado de emergência na América Central, a ajuda oficial se mostra insuficiente e muitas comunidades dependem exclusivamente do apoio de organizações não governamentais para sobreviver.





