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Cientistas calculam quanto tempo uma cidade na Lua conseguiria sobreviver com a água disponível

Por Jeferson da Rosa
18/09/2026
Cientistas calculam quanto tempo lua

Cientistas calculam quanto tempo uma cidade na Lua conseguiria sobreviver com a água disponível - Imagem: Pixabay

Mesmo adotando o maior índice de reciclagem de água já registrado em missões espaciais, uma colônia lunar com um milhão de moradores veria seu estoque hídrico se esgotar em pouco mais de um século. 

Caso a água não fosse reaproveitada de forma alguma, esse mesmo número de habitantes ficaria sem o recurso em apenas 2,4 anos.

É o que apontam Martin Elvis e Jonathan McDowell em pesquisa divulgada pela Frontiers in Space Technologies, na qual compararam a quantidade de gelo já mapeada nos polos da Lua às necessidades de água de uma população numerosa.

Cientistas calculam quanto tempo uma cidade na Lua conseguiria sobreviver com a água disponível

Desde 2013, sondas em órbita vêm mapeando depósitos de gelo escondidos em crateras onde a luz solar nunca chega, os chamados poços de escuridão eterna. 

Essas regiões não recebem luz solar direta há 4 bilhões de anos. As estimativas apontam até 1 bilhão de toneladas de água armazenada nessas regiões, um volume comparável a 400 mil piscinas olímpicas.

Esse estoque, no entanto, não é inesgotável. Ele representa um limite físico que qualquer projeto de povoamento lunar vai encontrar, independentemente da tecnologia usada para extrair e distribuir a água entre os moradores.

O maior gasto de água numa colônia lunar não viria do consumo pessoal dos habitantes. A produção de alimentos por meio de agricultura consumiria a maior parte do recurso disponível, já que cultivar plantas em ambiente fechado exige irrigação constante.

Esse detalhe muda o cálculo de qualquer planejamento para o satélite. Reduzir o desperdício doméstico ajuda, mas o verdadeiro ponto de pressão está nos sistemas de cultivo que vão alimentar a população lunar ao longo dos anos.

Elon Musk e Jeff Bezos figuram entre os bilionários que já financiam projetos voltados à criação de povoados autossuficientes na Lua. 

Segundo os autores do estudo, para gerar impacto relevante na economia global, esses projetos precisariam abrigar algo próximo a 1% da população da Terra, cerca de 80 milhões de pessoas.

Essa meta expõe o tamanho do desafio: a água simplesmente não sustenta uma escala assim por muito tempo. 

Estados Unidos, Rússia, China e Índia disputam a corrida lunar, mas nenhum desses planos resolve, por ora, o problema hídrico de fundo.

Energia sobra, mas água falta

A eletricidade parece ser o obstáculo mais fácil de resolver em uma base lunar. 

As bordas das crateras polares recebem luz solar de forma praticamente contínua, condição ideal para painéis fotovoltaicos instalados em torres de um quilômetro de altura, e esses painéis poderiam gerar três gigawatts.

Elvis sugeriu ainda a fabricação local de painéis solares e de centros de dados de inteligência artificial feitos com silício lunar, como ponto de partida para uma economia lunar.

A japonesa Shimizu Corporation chegou a projetar painéis solares distribuídos pelo equador da Lua com capacidade de gerar 13 mil terawatts, mais do que o consumo elétrico mundial. 

Ainda assim, energia abundante não resolve a escassez de água que trava projetos de povoamento em grande escala.

Quando o cálculo é feito para durações mais longas, o número de moradores possíveis despenca. 

Para resistir durante mil anos, uma colônia lunar precisaria limitar a população a cerca de 100 mil habitantes, muito distante da meta de 80 milhões defendida pelos projetos mais ambiciosos.

Vilas menores têm chance real de prosperar: com mil ou 10 mil moradores, a água mapeada nos polos pode durar séculos.

Só que esse formato está longe da ideia de metrópole autossuficiente que motiva bilionários e agências espaciais a olhar para o satélite da Terra.

Caminhos possíveis para o impasse

Aumentar a eficiência da reciclagem é uma das saídas discutidas pelos pesquisadores. A Estação Espacial Internacional já alcança 98% de eficiência nesse processo. 

Técnicas de agricultura vertical que consumam menos água por planta cultivada também aparecem como alternativa. 

A importação de gelo capturado em asteroides próximos é outra possibilidade, embora envolva uma logística ainda distante da realidade atual.

Descobrir novas jazidas de água no satélite é apontado como o caminho mais promissor, ainda que a retirada desse material enfrente obstáculos técnicos importantes. 

Só será possível saber quanto dessa água pode de fato ser aproveitada depois que houver informações precisas sobre a forma como o gelo se distribui misturado ao solo lunar.

Até que essa tecnologia avance, o sonho de uma cidade lunar de grande escala segue limitado pelo relógio da água que já está mapeada.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Jeferson da Rosa

Jeferson da Rosa

Jornalista apaixonado pela profissão.

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