Um estudo publicado no Journal of Fish Biology estima que um peixe que nada nos Grandes Lagos, na fronteira entre Estados Unidos e Canadá, pode viver mais de 400 anos e atravessar cerca de 15 gerações humanas.
O animal é o esturjão-do-lago, espécie identificada cientificamente como Acipenser fulvescens.
Os autores reconhecem que a estimativa ainda precisa ser confirmada por métodos independentes.
Mesmo assim, o resultado coloca o animal entre os vertebrados mais longevos já registrados e pode fazer dele o peixe de água doce com a maior expectativa de vida conhecida até hoje.
Peixe de água doce pode ultrapassar quatro séculos de vida após novas análises científicas
Segundo Baker, pesquisador do Departamento de Recursos Naturais de Michigan e um dos autores do estudo, os maiores exemplares capturados pela equipe não representam necessariamente o limite máximo da espécie.
Em entrevista à Smithsonian, ele afirmou que podem existir esturjões ainda maiores e mais velhos do que os identificados na pesquisa, cuja idade chegou a 435 anos.
Considerado o maior peixe dos Grandes Lagos, o esturjão-do-lago costuma medir entre 1,2 e 1,8 metro de comprimento e pesar entre 14 e 36 kg.
Seu esqueleto é majoritariamente cartilaginoso, mas a espécie pertence ao grupo dos peixes ósseos, e seus ancestrais remontam a cerca de 200 milhões de anos.
Estudos anteriores apontavam uma expectativa de vida média entre 50 e 100 anos para esses animais.
O recorde até então pertencia a um exemplar capturado em 1953, na divisa entre Minnesota e o Canadá, que tinha 154 anos quando foi encontrado.
Esse panorama muda com a nova pesquisa, construída a partir de dados de milhares de esturjões coletados entre 1980 e 2024.
Cinco cursos d’água ligados aos Grandes Lagos Superiores entraram na análise: Black Lake, Sturgeon River, Menominee River, St, e clair River e Lake Winnebago.
Como os cientistas calcularam a idade
Determinar quantos anos um peixe selvagem tem está longe de ser simples. Em várias espécies, os cientistas contam os anéis de crescimento nas escamas.
O método é parecido com a leitura dos anéis de um tronco de árvore: cada marca costuma equivaler a um ano de vida.
Essa técnica perde precisão em animais muito velhos, e o esturjão é um exemplo claro do problema: como cresce devagar, seus anéis ficam cada vez mais próximos entre si com o passar do tempo.
Em determinado ponto, eles se tornam difíceis de distinguir ou simplesmente param de se formar de maneira clara.
Diante dessa limitação, a equipe recorreu ao sistema de captura-marcação-recaptura.
Cada peixe capturado tinha sexo e comprimento registrados, recebia uma etiqueta com identificação sob a pele e era devolvido à água em seguida.
As etiquetas usadas traziam um número exclusivo de 15 dígitos e mantiveram taxa de retenção próxima de 100%.
Quando um mesmo esturjão era recapturado anos depois, os pesquisadores comparavam o tamanho atual com o registrado na primeira captura.
Em alguns casos, o intervalo entre as duas medições chegou a 42 anos.
Com esse volume de registros, a equipe calculou a taxa média de crescimento anual de cada peixe.
O modelo desenvolvido também considerou as diferenças de desenvolvimento entre machos e fêmeas, entre populações e entre indivíduos mais jovens e mais velhos.
Segundo o modelo, um macho com 1,60 metro, aproximadamente o comprimento máximo dessa população, teria idade mediana entre 87 e 215 anos.
Para uma fêmea de 1,80 metro, a faixa estimada foi de 90 a 248 anos.
Alguns dos maiores indivíduos analisados apresentaram idades medianas de até 435 anos para machos e 292 anos para fêmeas.





