A biometria facial dominou a última década de autenticação digital porque a câmera de celular já estava no bolso de todo mundo.
Agora, empresas de cibersegurança e tecnologia começam a migrar para uma alternativa mais difícil de fraudar: a biometria da palma da mão, que combina formato, linhas da pele, padrão das veias e fluxo sanguíneo numa verificação que acontece em menos de 300 milissegundos.
Por que o rosto se tornou insuficiente
“O rosto é uma biometria altamente exposta. Você encontra centenas de imagens das pessoas na internet e as fraudes baseadas em biometria facial passaram a ser grandes”, afirmou Marco Zanini, CEO da DINAMO Cyber Security Company, ao InfoMoney.
A ascensão dos deepfakes gerados por inteligência artificial tornou esse problema mais agudo: falsificar um rosto em vídeo está cada vez mais acessível para agentes maliciosos.
A biometria palmar resolve esse ponto porque as veias sob a pele não são visíveis em fotos nem reproduzíveis com a tecnologia disponível para fraude.
Os sensores usam luz infravermelha: a hemoglobina absorve esse comprimento de onda, fazendo as veias aparecerem como linhas escuras com um padrão único para cada pessoa.
Como funciona a tecnologia
A plataforma PalmAI, desenvolvida pela Tencent, analisa mais de 40 variáveis simultaneamente: formato da mão, linhas da pele, padrão das veias, pressão sanguínea, estrutura muscular e nervosa.
Segundo João Santos, CEO da TREEAL, empresa que utiliza a tecnologia no Brasil em parceria com a Positivo, a taxa de falsa aceitação do sistema é de 10 elevado a -6, ou seja, uma falha para cada um milhão de tentativas.
A biometria facial convencional opera em torno de 10 elevado a -3, equivalente a uma falha por mil tentativas, tornando a biometria palmar mil vezes mais assertiva.
Na China, a tecnologia já opera em larga escala: mais de 50 milhões de usuários ativos, 2 bilhões de transações processadas e 200 mil pontos de uso, incluindo 1.500 lojas da rede 7-Eleven. No Brasil, houve projeto piloto no metrô de Brasília em 2025 para 3 mil usuários do grupo de gratuidade.
Diversos caminhos
Os especialistas não descartam a biometria facial, mas apontam para um modelo de múltiplas camadas, onde o fator de autenticação varia conforme o risco da operação.
Além da biometria palmar, cresce o interesse pela biometria comportamental, que analisa padrões de uso do dispositivo: a forma como o usuário digita, como segura o celular e como navega cria uma assinatura difícil de replicar.
“Tudo vai depender da complexidade e do risco daquela operação”, disse Santos.





