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Pesquisa brasileira revela o principal fator associado à piora da saúde mental da população

Por Ana Anjos
27/10/2026
Pesquisa brasileira revela fator está

Foto: 1388843/Pixabay

Quem não tem contato próximo com amigos apresenta resultados de saúde mental bem inferiores aos de quem mantém esses laços. A constatação está na pesquisa feita pelo Instituto Cactus em parceria com a AtlasIntel, que apontou o isolamento social como a variável com maior peso entre as fragilidades emocionais investigadas.

Nas duas semanas anteriores à realização da pesquisa, mais de um terço dos entrevistados, 36,5%, disse ter passado por algum episódio de solidão. Entre todos os hábitos e comportamentos avaliados pelo estudo, esse foi o que mais pesou nos resultados.

A diferença numérica entre quem convive com isolamento e quem não convive é expressiva. Quem relatou solidão por três vezes ou mais teve 383 pontos no Índice Contínuo de Avaliação da Saúde Mental (ICASM), enquanto quem nunca sentiu isso teve 782 pontos — a maior distância registrada entre todas as variáveis do levantamento.

Conexão social como fator de proteção

Quando o recorte muda para “relatou solidão, em qualquer frequência” versus “não relatou”, o ICASM ficou em 478,2 pontos contra 782,3, uma diferença de cerca de 304 pontos. Esse padrão aponta para um elo direto entre contato social e equilíbrio emocional.

Pontos-chave
Pontos-chave sobre isolamento social e saúde mental
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Isolamento social foi a variável com maior peso nas fragilidades emocionais investigadas.
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36,5% dos entrevistados disseram ter passado por algum episódio de solidão nas duas semanas anteriores.
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Quem relatou solidão três vezes ou mais teve ICASM de 383, contra 782 de quem nunca sentiu solidão.
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Ter amigos por perto, voluntariado e frequência a igrejas/templos aparecem como fatores protetivos no ICASM.
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Uso de IA para companhia é mais frequente entre os que se sentem solitários, chegando a 32,1% entre os mais isolados.
✓
Solidão e esgotamento mental afastam pessoas da vida cívica e afetam especialmente jovens, que recorrem a TV e redes sociais.

Ter amigos por perto aparece como o principal antídoto para esse quadro. Quem encontrou amigos pontuou 736,9 no índice, enquanto quem não teve esse contato ficou em 539 pontos — uma distância que coloca a amizade entre os hábitos mais protetivos do levantamento.

Outras formas de engajamento social também pontuaram melhor no índice. Pessoas que fizeram trabalho voluntário chegaram a 731,3 pontos no ICASM, ante 654,2 entre as que não se envolveram nesse tipo de atividade, e a frequência a igrejas ou templos marcou uma diferença de 104,5 pontos no indicador.

A prática de atividade física também aparece associada a melhores resultados, com ICASM de 728,6 entre praticantes contra 621,7 entre os que não praticam.

Grupos mais atingidos pelo isolamento

A solidão também variou conforme o estado civil: 51,7% dos solteiros relataram o sentimento, contra 26,6% dos casados. Entre pessoas com diagnóstico de transtorno mental, o percentual chega a 52,5%, ante 32,5% entre quem não tem diagnóstico.

O tempo diante das telas também pesa nessa equação. Passar três horas ou mais por dia em redes sociais eleva a prevalência de solidão para 46,8%, enquanto usuários com uso moderado registram 26,1%.

Entre quem brigou com frequência com familiares, 84,2% relataram solidão, ante 24,4% dos que não enfrentaram esses atritos. O percentual também foi maior entre quem nunca encontrou amigos: 54,6%, contra 19,4% entre quem se encontrou com eles três vezes ou mais.

IA entra como válvula de escape

Uma pessoa sentada sozinha em um canto, evocando temas de solidão e emoção.
Foto: Pixabay/Pexels

O estudo investigou pela primeira vez como a inteligência artificial se conecta ao bem-estar emocional dos brasileiros. Entre os entrevistados, 86,4% já usaram alguma ferramenta de IA, e 51,9% recorreram a geradores de texto ou conversa, como ChatGPT. Gemini e Copilot — mas apenas 31,3% se dizem com conhecimento médio ou alto sobre o tema.

Entre quem não relatou isolamento, apenas 1,8% recorreram à IA em busca de interação; esse número sobe para 8,5% entre quem sentiu solidão uma ou duas vezes e salta para 32,1% entre quem viveu esse sentimento três vezes ou mais — justamente o uso de IA que mais aparece ligado a piores indicadores emocionais no levantamento.

A solidão está desconectando as pessoas da vida cívica

A falta de vínculos não é apenas um problema individual de saúde mental, ela afeta também como as pessoas participam da sociedade. Pesquisa complementar encontrou que a solidão e o esgotamento mental estão entre as principais razões pelas quais milhões de brasileiros deixam de votar.

Pessoas que se sentem desvinculadas, isoladas e exaustas passam a acreditar que não têm poder para transformar nada, e isso as afasta da política e da vida comunitária.

Jovens são os mais atingidos por esse ciclo destrutivo: quando faltam conexões reais eles preenchem esse vazio com TV e redes sociais, que funcionam como “anestesia” para a exaustão. Mas isso piora ainda mais o isolamento, criando um padrão difícil de quebrar.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Ana Anjos

Ana Anjos

Jornalista paraibana, com coração pernambucano, fazendo o que ama e contando histórias que importam.

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