Infelizmente, o desejo de emagrecer nem sempre faz com que as pessoas adotem práticas corretas e até mesmo chequem o tipo de produto que estão utilizando para alcançar esse objetivo. Nesse cenário, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) costuma entrar em ação. E em mais uma intervenção, o órgão proibiu produtos que prometem o efeito de queima de gordura, mas que trazem sérios riscos à saúde.
Trata-se de quatro itens da marca Moringa da Paz: as Cápsulas com Pó Orgânico de Moringa Oleífera, a Cápsula Nespresso de Moringa Oleífera, o Pó Orgânico de Moringa Oleífera e Chá Orgânico de Moringa Oleífera.
A medida é válida para as quatro apresentações porque, apesar das diferenças na forma de consumo, todas utilizam a Moringa oleifera como ingrediente. A planta aparece nos produtos em versões como pó, cápsulas e chá.
Além de retirar os produtos do mercado, a decisão atinge também a publicidade relacionada a eles. Isso significa que a proibição não se limita ao comércio físico: a divulgação dos itens também está incluída na determinação sanitária.
Por que a Moringa da Paz foi proibida?
O principal motivo apontado pela Anvisa é que não existe comprovação de segurança para o uso da Moringa oleifera como alimento. Em outras palavras, a agência não reconhece que a utilização da planta nessas condições tenha passado por uma avaliação que permita garantir sua segurança para o consumo alimentar.
A situação não começou com a decisão publicada agora. Desde 2019, a Anvisa mantém uma determinação que proíbe a fabricação, importação, comercialização, distribuição e propaganda de alimentos contendo Moringa oleifera em qualquer apresentação.
Na época, a agência explicou que a decisão estava relacionada justamente à ausência de avaliação e comprovação da segurança da espécie para uso em alimentos. A regra alcança inclusive produtos apresentados em formatos como chás e cápsulas.
Um ponto muito importante é que nas avaliações realizadas pelo órgão, não foi possível descartar a possibilidade de a planta causar efeitos genotóxicos, ligados a uma mudança genética, que pode acarretar em câncer. Também não houve o afastamento de problemas hepatotóxicos, que geram danos no fígado.
Produtos também eram vendidos de forma irregular
A questão sanitária não envolve somente o ingrediente utilizado. Segundo a resolução de 2026, os quatro produtos da Moringa da Paz também estavam sendo comercializados sem a regularização necessária perante a autoridade sanitária competente.
Essa diferença é importante porque um produto vendido como alimento ou suplemento precisa cumprir regras específicas antes de chegar ao consumidor. A regularização permite que a autoridade sanitária avalie as condições estabelecidas para determinada categoria de produto e acompanhe sua comercialização.
No caso dos itens proibidos, a Anvisa identificou justamente a ausência dessa regularização. Por isso, a comercialização não poderia continuar normalmente.
Consumidor deve interromper o uso
A orientação para quem já comprou produtos contendo Moringa oleifera é não utilizá-los. A própria Anvisa já havia feito essa recomendação quando proibiu alimentos com a planta em 2019.
Isso significa que o consumidor não deve interpretar a venda de um produto em lojas físicas, sites ou redes sociais como uma confirmação de que ele foi autorizado pela agência. Um item pode continuar aparecendo comercialmente mesmo quando está em situação irregular.
A Anvisa mantém uma ferramenta de consulta para verificar a situação de alimentos e suplementos regularizados. Dependendo da categoria, o produto pode aparecer como registrado ou notificado; quando o status consta como inativo, significa que ele não está regularizado.





