Uma nova barragem começa a ser construída em Jardim, no Cariri cearense, a partir de novembro, com o objetivo de fortalecer a segurança hídrica do município.
A obra, orçada em R$ 55,3 milhões, tem como um dos principais objetivos aumentar a disponibilidade de água destinada ao consumo humano.
Também deve beneficiar o consumo animal, a agricultura e a piscicultura, diminuindo a necessidade de captação nas nascentes que hoje sustentam o abastecimento da região.
Cidade do Ceará receberá barragem de R$ 55 milhões para reforçar abastecimento e reduzir pressão sobre nascentes
Quando concluída, a Barragem Beré deve comportar até 2,56 milhões de metros cúbicos de água.
Quem ficará responsável pela execução é o Consórcio Barragem Beré, formado pelas empresas GCR Construções e Construtora Gurgel, que venceu a licitação eletrônica ao oferecer uma proposta de R$ 55.336.652,18.
Os trabalhos devem durar 18 meses e terminar em abril de 2028, segundo informou ao Diário do Nordeste Ramon Rodrigues, secretário dos Recursos Hídricos do Ceará.
A construção da barragem atende a uma antiga reivindicação dos moradores de Jardim.
O município integra a Sub-bacia Hidrográfica do Salgado, que abrange 23 municípios e cobre uma área de drenagem de 12.865 km², equivalente a 8,25% do território cearense.
As chuvas se concentram entre janeiro e junho, o que dificulta a oferta de água no restante do ano.
O abastecimento de Jardim depende principalmente de nascentes, enquanto poços profundos funcionam como fontes secundárias.
Esse modelo sobrecarrega os mananciais naturais e compromete sua preservação a longo prazo.
O novo reservatório armazenará água no período chuvoso e a distribuirá durante a estiagem, o que dará mais estabilidade ao fornecimento.
Estrutura técnica e impacto regional
O empreendimento terá 45,35 metros de altura máxima e será construído em Concreto Compactado a Rolo, uma técnica que oferece durabilidade e resistência.
A barragem de Jardim não está entre os maiores reservatórios da Bacia do Salgado, que já inclui o Atalho, em Brejo Santo, com 72,55 milhões de m³, e o Lima Campos, em Icó, com 51,17 milhões de m³.
Ainda assim, tem capacidade para reduzir a pressão local sobre as nascentes.
Além do abastecimento doméstico, o reservatório poderá ser usado para piscicultura intensiva, atividades de lazer e outras práticas econômicas que dependem de disponibilidade hídrica constante.
Os recursos virão do Governo do Estado e da Caixa Econômica Federal, em um investimento voltado à sustentabilidade hídrica do Cariri cearense.
A construção da barragem exigirá desapropriação de 14 áreas pertencentes a 12 famílias, sem previsão de reassentamento.
A licença prévia da obra já foi concedida, e a licença de instalação segue em tramitação até ser liberada.
O Comitê da Sub-bacia Hidrográfica do Salgado acompanha o licenciamento e pretende monitorar a execução da obra.





