Os estados de Paraná, Santa Catarina e São Paulo devem concentrar as chuvas mais fortes do país entre 14 e 28 de setembro, com volumes semanais de 30 a 60 mm acima do esperado.
Ao mesmo tempo, o extremo norte do Brasil caminha para o efeito oposto, com termômetros até 6°C acima da média.
Esse contraste entre frio no Centro-Sul e calor na metade norte já vinha se formando desde o início do mês e deve seguir firme até o fim de setembro.
Rio de Janeiro, norte do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul também entram na lista de áreas com chuva superior à média.
Enquanto parte do Brasil terá frio e chuva, 2 regiões podem enfrentar calor acima da média
Entre 1º e 12 de setembro, Santa Catarina recebeu mais de 80 mm de chuva acima do normal.
Paraná e São Paulo também registraram volumes superiores ao esperado, segundo o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
O Brasil Central e parte da Amazônia também tiveram volumes superiores ao esperado para o período.
Do outro lado do mapa, Rio Grande do Sul e o extremo norte do país registraram chuva abaixo do normal.
As mínimas ficaram mais frias no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, enquanto o restante do território teve noites até 3°C mais quentes que o costume.
Nas áreas chuvosas, porém, a nebulosidade segurou as máximas em até 4°C abaixo da média.
O modelo ECMWF, projeta a continuidade do padrão observado no começo de setembro.
No Centro-Sul do Brasil, as temperaturas devem ficar entre 1°C e 6°C abaixo da média, com possibilidade de marcas ainda mais baixas em uma área entre o norte do Paraná.
O interior de São Paulo e o leste de Mato Grosso do Sul, especialmente entre 14 e 21 de setembro.
A partir de 21 de setembro, esse frio perde força aos poucos, mas ainda deve aparecer de forma perceptível até o dia 28.
Já no norte gaúcho e no restante do Rio Grande do Sul, a tendência é de chuva na média ou abaixo dela, assim como em boa parte da metade norte do Brasil.
Enquanto o Sul esfria, o Norte, partes do Nordeste e do norte do Sudeste caminham para temperaturas de 1°C a 6°C acima do normal.
No extremo norte, essa diferença pode ultrapassar os 6°C, um sinal do padrão seco que domina essa região neste período.
Na maior parte do centro-norte brasileiro, a expectativa é de calor entre 1°C e 3°C acima da média.
Esse cenário reforça a separação climática entre as duas metades do país, com pouca chance de mudança relevante até o fim de setembro.
El Niño ajuda a explicar o contraste
Parte dessa divisão climática tem relação direta com o El Niño, fenômeno que altera a circulação atmosférica sobre o Pacífico Equatorial e influencia o clima em toda a América do Sul.
O padrão atmosférico registrado entre agosto e 11 de setembro deste ano se assemelha ao que ocorreu em 2015 e em 2023.
Entre os sinais que mais chamam atenção nesta passagem do fenômeno estão o enfraquecimento dos ventos alísios sobre o Pacífico Equatorial.
A maior atividade de nuvens de chuva na região central do oceano e uma teleconexão do tipo Pacific-South American bem definida.
Essas mudanças tendem a aumentar a chegada de frentes frias e os episódios de chuva forte na Região Sul.
Ao mesmo tempo que empurram a atividade de tempestades para áreas mais ao sul do Centro-Oeste e do Sudeste.
A força desse padrão atmosférico em 2026 chama atenção por parecer ainda maior que a observada em 2015 no mesmo período do ano.
Outros fatores de curto prazo também interferem no clima diário, mas o conjunto de sinais na atmosfera aponta o El Niño como peça central das chuvas acima da média no Centro-Sul.





