O recesso escolar do meio do ano acentua a disparidade histórica na divisão do trabalho doméstico no Brasil, sobrecarregando a população feminina de forma invisível. Uma reportagem veiculada pelo portal Metrópoles joga luz sobre esse cenário, detalhando como o mês de julho expõe a desigualdade de gênero na gestão do lar.
Os reflexos dessa dinâmica na saúde mental foram mapeados pelo estudo inédito intitulado Mapa da Felicidade Real do Brasil 2026, concebido pela pesquisadora da ciência da felicidade Renata Rivetti em parceria com o Instituto Ideia.
A amostragem, que contou com 1.500 entrevistas em todas as regiões do país, quantifica o impacto dessa assimetria no cotidiano e no bem-estar dos cidadãos.
Satisfação diária
A análise estatística indica que a satisfação diária é uma realidade para 44,9% dos homens, número que encolhe para 35,6% entre as mulheres.
No campo emocional, o público feminino apresenta índices superiores de ansiedade, atingindo 35,9%, e de medo, que alcança 12,6%. Em contrapartida, os homens registram taxas menores nessas categorias, com 28,9% e 7,4%, respectivamente.
De acordo com a especialista, as discrepâncias não indicam que o gênero masculino possua maior inclinação natural à felicidade, mas expõem realidades sociais distintas.
O levantamento comprova que 33,1% dos homens frequentam atividades sociais assiduamente, enquanto apenas 25,6% das mulheres conseguem manter o mesmo ritmo. Além disso, o horário profissional gera infelicidade para 12% delas, contra 7,7% deles. Rivetti conclui que a dupla jornada e o cuidado compulsório reduzem drasticamente as oportunidades de descanso e autocuidado.





