O que seria descartado como subproduto da pecuária suíça acabou de se tornar uma das promessas mais inesperadas para a preservação dos glaciares alpinos. Mantas de lã de ovelha, fabricadas pela empresa suíça Fisolan, demonstraram capacidade de proteger o gelo de forma comparável às lonas plásticas convencionais.
Os dados foram obtidos por um experimento do projeto “Keep It Wool“, proposto por quatro estudantes de mestrado da Universidade de Lausana em parceria com a organização Summit Foundation.
A cobertura testada teve 200 metros quadrados e as primeiras medições indicaram que o desempenho térmico do material natural é equivalente ao das coberturas sintéticas no período de maior degelo.
Um desperdício que vira solução
De acordo com especialistas, a escolha da lã não é aleatória. Na Suíça, as ovelhas são criadas predominantemente para carne e leite, e entre 55% e 70% da produção anual de lã acaba sendo descartada. Os estudantes identificaram nesse descarte uma oportunidade: um material local, natural, renovável, biodegradável e com propriedades isolantes inerentes.
“O material se mostrou mais resistente do que o que esperávamos”, afirmaram os pesquisadores, que agora planejam ampliar as medições para avaliar o desempenho ao longo de toda a estação e em diferentes condições de altitude e exposição solar.
Vale destacar, no entanto, que os próprios autores do estudo afirmaram que o método não representa uma solução para o aquecimento global. Atualmente, apenas 0,02% do gelo dos glaciares suíços é coberto por qualquer técnica de proteção.
De acordo com os pesquisadores, o principal uso prático das mantas, sejam de plástico, sejam de lã, se concentra na proteção de áreas de esqui e de infraestrutura vulnerável ao degelo acelerado.
O próximo passo da equipe é determinar a viabilidade econômica e logística de escalar o método para outras estações de esqui nos Alpes, onde a pressão sobre o gelo é crescente ano após ano.





