A Sociedade Brasileira de Diabetes publicou, em 2026, uma atualização das diretrizes de tratamento do diabetes tipo 2 que mudou um ponto que vigorava há décadas na prática clínica: a metformina deixou de ser automaticamente a primeira escolha para todos os pacientes.
A decisão de qual medicamento começar depende agora de três variáveis: o risco cardiovascular e renal de cada pessoa, o índice de massa corporal e o nível de hemoglobina glicada.
O que mudou
Antes da atualização, a metformina era indicada como ponto de partida quase universal para o diabetes tipo 2, já a nova diretriz mantém o medicamento no tratamento, mas retira essa exclusividade.
Para pacientes recém-diagnosticados sem tratamento prévio, com baixo ou médio risco cardiovascular e hemoglobina glicada abaixo de 7,5%, a metformina continua sendo uma opção válida, associada a mudanças no estilo de vida.
Para quem tem risco cardiovascular elevado, a recomendação agora é iniciar um inibidor de SGLT2, classe de medicamentos com eficácia comprovada na redução de eventos cardíacos e renais, independentemente dos níveis de hemoglobina glicada.
Quando a hemoglobina glicada está em 7,5% ou acima, a diretriz recomenda começar com terapia dupla desde o início, sem esperar a falha de um medicamento isolado.
Por que a metformina permanece relevante
Apesar da mudança, a metformina continua sendo amplamente recomendada. O medicamento tem décadas de uso, custo baixo, boa tolerância na maioria dos casos e histórico de segurança bem documentado.
A diretriz mantém a indicação para adultos com função renal preservada, definida pela taxa de filtração glomerular igual ou superior a 30 mL/min/1,73m². Um ponto que a atualização reforça é a verificação dos níveis de vitamina B12 anualmente após quatro anos de uso contínuo, já que a metformina pode interferir na absorção da vitamina e gerar deficiência ao longo do tempo.
Orientações atuais
A diretriz organiza o tratamento em torno de um raciocínio mais amplo do que o controle da glicose em si. A avaliação do risco cardiovascular e renal passou a ser recomendada para todos os adultos recém-diagnosticados antes de qualquer decisão sobre medicamento. Antes de ajustar qualquer medicação, a orientação é sempre consultar o médico responsável pelo acompanhamento.





