Há diversos mitos que mais atrapalham do que ajudam sobre os cuidados com os joelhos que muitos médicos ortopedistas e reumatologistas estão buscando corrigir. Para isso, especialistas desmistificaram os nove mitos mais persistentes sobre saúde articular.
Confira os mitos:
A lista, construída a partir de evidências científicas atualizadas, revela que o medo do movimento, a restrição excessiva e a falta de tratamento individualizado estão custando qualidade de vida a milhões de pessoas.
1. Dor no joelho com a idade
Um dos primeiros mitos, e que, segundo especialistas, é o mais perigoso, é que as dores no joelho “vêm com a idade”. Embora a idade aumente o risco de desenvolver artrite, especialistas afirmam que dor persistente, inchaço ou rigidez que afetam a rotina não devem ser aceitos como parte do envelhecimento.
“O paciente que convive com dor há anos e nunca procurou avaliação está, na maioria das vezes, perdendo a janela de tratamento mais eficaz”, alertam médicos.
2. Exercício como vilão
O segundo mito é o de que o exercício pode danificar o joelho. Acontece que, segundo os especialistas, acontece justamente o oposto. Fortalecer a musculatura de coxa, quadril e core é a principal forma de proteger a articulação.
Caminhada, ciclismo, natação e treino de força supervisionado são recomendados pela maioria dos especialistas. O problema surge quando o paciente exagera na intensidade, avança rápido demais ou ignora dor significativa.
3. Evitar se exercitar por causa de artrite
Na mesma linha do mito que diz que se exercitar pode não ser bom, está a ideia de que quem tem artrite precisa de repouso absoluto. A imobilização prolongada leva ao enfraquecimento muscular, maior rigidez e perda de mobilidade; logo, especialistas desaconselham isso.
4. Usar prótese pode fazer mal
Já sobre a artroplastia de joelho, os especialistas defendem que a cirurgia não deve ser evitada automaticamente. Quando a artrite severa causa dor constante, dificuldade para caminhar, distúrbios do sono e limitação em atividades simples, e outros tratamentos falharam, a cirurgia é plenamente viável.
5. Lesão na cartilagem = necessidade de cirurgia
Assim como a artroplastia pode ser um caminho essencial para alguns indivíduos com condições graves, ela também não é resposta para todo caso. Especialistas reforçam que lesionar a cartilagem não significa, automaticamente, necessidade de cirurgia.
De acordo com médicos ortopedistas, em casos de lesão na cartilagem, também se fazem tratamentos com fisioterapia, controle de peso, medicação e infiltrações, que podem ser suficientes em muitos casos.
6. Abrir mão dos esportes após colocar prótese
Contrariando a crença de que “depois da prótese, acabou o esporte”, os médicos afirmam que, após a reabilitação adequada, o paciente pode retomar atividades como caminhada, bicicleta e natação. A prótese não é o fim da vida ativa.
Para os especialistas, o que vem é apenas uma “pausa” no período em que o paciente se recupera da cirurgia e uma retomada gradual à medida que o paciente se adapta à prótese.
7. Tecnologia a serviço do cirurgião
Um mito menos discutido, mas muito apontado pelos médicos, é sobre a cirurgia robótica. Algumas pessoas apontam que, durante a cirurgia, os robôs fariam tudo sem supervisão médica, o que preocupa alguns pacientes, que acabam optando por não receber procedimentos essenciais.
No entanto, ortopedistas destacam que o robô não “faz tudo”. O cirurgião mantém o controle em todos os momentos. A tecnologia é uma ferramenta que auxilia no planejamento, nas medições e na execução, aumentando a precisão do procedimento.
8. Dor não se trata só com analgésico
Outro ponto ressaltado é que tomar analgésico não resolve o problema de forma duradoura. A dor pode ter origem em artrite, lesões de ligamentos, problemas de menisco ou fraqueza muscular, e a causa raiz precisa ser identificada.
9. Cada paciente é um caso
Por fim, os médicos alertam que não existe tratamento único. Dois pacientes podem ter radiografias semelhantes, mas níveis de dor e limitações completamente diferentes.
Devido a isso, especialistas destacam que o plano terapêutico deve ser individualizado: um pode se beneficiar de exercício e mudança de estilo de vida, enquanto outro pode necessitar de intervenção cirúrgica.
O que fazer na prática?
A orientação dos especialistas é que dores no joelho que persistem, pioram ou limitam a rotina não devem ser ignoradas. A busca por avaliação médica precoce permite identificar a causa e montar um plano personalizado, que pode incluir exercício direcionado, controle de peso, medicação ou, em casos selecionados, cirurgia.





