Em 1977, um projeto ambicioso chamou a atenção ao propor o transporte de um iceberg de aproximadamente 2 milhões de toneladas do Alasca até regiões áridas, com o objetivo de ajudar a enfrentar a escassez mundial de água potável. A iniciativa, associada ao príncipe saudita Mohammed al-Faisal, pretendia aproveitar a água doce armazenada em enormes blocos de gelo natural para abastecer populações que enfrentavam dificuldades de acesso ao recurso.
Apesar das expectativas, o plano esbarrou em obstáculos técnicos, logísticos e financeiros, e a ideia de transformar um iceberg em uma fonte de abastecimento em larga escala não se concretizou como esperado.
A proposta surgiu em um contexto de preocupação com a disponibilidade de água em países desérticos, especialmente na Península Arábica. Naquele período, transportar grandes quantidades de água por navios ou produzi-la por dessalinização representava um desafio econômico, o que levou pesquisadores e empresários a considerar alternativas pouco convencionais.
A ideia de rebocar icebergs de regiões polares até áreas com escassez hídrica parecia oferecer uma solução natural: em vez de produzir água doce, seria possível transportar uma reserva congelada já existente. O problema era fazer com que o gelo sobrevivesse à viagem por águas mais quentes sem derreter em excesso.
Como surgiu o plano de transportar um iceberg?

A proposta ganhou força na década de 1970, quando o príncipe Mohammed al-Faisal passou a apoiar estudos sobre o aproveitamento de icebergs como fontes de água potável. O projeto previa retirar um bloco de gelo de regiões próximas ao Alasca e transportá-lo até áreas com grande necessidade de abastecimento.
A dimensão do empreendimento era extraordinária. Um iceberg com milhões de toneladas poderia, em teoria, armazenar uma quantidade significativa de água doce. Entretanto, o volume disponível não seria necessariamente igual ao volume que chegaria ao destino, já que parte do gelo poderia derreter durante o deslocamento.
Os idealizadores precisariam resolver questões como a escolha da rota, a força necessária para rebocar a massa congelada, a resistência do gelo às correntes marítimas e a proteção contra o calor. Também seria necessário desenvolver uma estrutura capaz de manter o iceberg estável durante uma viagem de milhares de quilômetros.
O projeto despertou interesse internacional e levou à realização de estudos e encontros técnicos. Ainda assim, transformar a proposta em uma operação comercial exigiria investimentos elevados e soluções de engenharia que não estavam suficientemente desenvolvidas para garantir o sucesso do transporte.
O iceberg gigante nunca chegou à Arábia Saudita
O plano original previa algo muito maior do que o transporte experimental realizado em 1977. A proposta era rebocar um iceberg da Antártida com cerca de 100 milhões de toneladas até a costa da Arábia Saudita, onde o derretimento poderia fornecer água doce para consumo e irrigação. A estimativa apresentada na época era de aproximadamente US$ 100 milhões para desenvolver a engenharia necessária à operação.
Para que o projeto funcionasse, os responsáveis estudaram maneiras de envolver o iceberg com materiais isolantes, reduzindo a perda de gelo durante a travessia. A viagem poderia durar vários meses, e o bloco precisaria resistir às correntes marítimas, às ondas e ao aumento da temperatura da água conforme avançasse em direção a regiões mais quentes.
A escala do empreendimento, porém, trouxe dificuldades consideráveis. Além do custo elevado, havia dúvidas sobre a capacidade de manter uma estrutura congelada daquele tamanho intacta durante milhares de quilômetros. Os riscos de derretimento e fragmentação tornavam incerta a quantidade de água que efetivamente chegaria ao destino.
O projeto não se transformou em um sistema comercial de abastecimento. A falta de apoio financeiro suficiente e os desafios técnicos impediram que o plano de transportar um iceberg gigante para a Arábia Saudita avançasse até a operação em larga escala.





