Cravada a 5.100 metros de altitude, nos Andes peruanos, La Rinconada é conhecida como a cidade mais alta e perigosa do mundo e ao mesmo tempo esconde uma grande riqueza em meio às montanhas, minas e rochedos da região.
O local abriga cerca de 30 mil habitantes que enfrentam frio intenso, pobreza extrema e total ausência de infraestrutura básica — não há água potável, rede de esgoto ou hospitais. Mesmo assim, milhares continuam chegando, atraídos pela promessa de encontrar ouro.
Em meio a pobreza extrema, La Rinconada, nos Andes peruanos, mostra o preço da corrida pelo ouro
A cidade sobrevive graças à mineração informal, sustentada pelo método “cachorreo”. Nesse sistema, mineiros trabalham um mês inteiro sem salário e, no último dia, têm o direito de ficar com o ouro que conseguirem extrair — se acharem algo. O processo usa mercúrio, substância altamente tóxica que contamina o solo, os rios e o ar.
Segundo a National Geographic, os níveis de poluição são tão altos que a região já é considerada tóxica à saúde humana, com consequências como intoxicação crônica e doenças neurológicas.
Viver a mais de cinco mil metros de altitude também é um desafio físico. O ar rarefeito contém apenas 60% do oxigênio disponível ao nível do mar, causando o chamado mal de montanha crônico — fadiga, dores de cabeça, perda de apetite e problemas cardíacos são comuns. A expectativa de vida em La Rinconada é de apenas 35 anos, metade da média peruana.
Além da contaminação, a cidade enfrenta violência, exploração sexual e criminalidade elevadas. Com uma taxa de homicídios de 52,9 por 100 mil habitantes, o medo faz parte da rotina dos habitantes, acostumados com a exploração excessiva das terras devido ao ouro.





