A decisão do governo federal de zerar tributos sobre o diesel abriu uma nova frente de conflito político no país e colocou o Brasil, de forma direta, em uma “guerra” interna com impacto previsto para 2026. Com isso, a intensificação de disputas políticas e econômicas em torno das medidas adotadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva devem gerar tensão nos próximos dias.
A medida anunciada pela União inclui a zeragem de impostos federais, como PIS e Cofins, além de subsídios e maior fiscalização sobre os preços. O objetivo é conter a alta do diesel, pressionada por tensões internacionais, e evitar efeitos em cadeia sobre a inflação, especialmente no custo dos alimentos e do transporte.
Conflito político sobre combustíveis opõe União e estados e deve marcar cenário eleitoral
Na prática, o governo busca reduzir o impacto direto no bolso da população — sobretudo caminhoneiros e consumidores. No entanto, a estratégia depende da adesão dos estados, responsáveis pela cobrança do ICMS, principal tributo sobre combustíveis.
É nesse ponto que o embate se intensifica. O Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) anunciou que os estados não irão reduzir o imposto, contrariando o apelo do presidente. A justificativa é que cortes no ICMS nem sempre chegam ao consumidor final e ainda comprometem receitas essenciais para áreas como saúde, educação e infraestrutura.
A decisão dos estados transforma a política de combustíveis em um campo de disputa direta com o governo federal. Na prática, cria-se uma narrativa de responsabilização: enquanto a União tenta reduzir preços, governadores resistem, argumentando perdas fiscais e baixa efetividade das medidas.
Com as eleições presidenciais se aproximando, o tema tende a ganhar ainda mais peso. A “guerra”, nesse sentido, se configura como um embate político contra Lula, em que decisões econômicas passam a ser usadas como instrumento de pressão.





