O número de empresas brasileiras que decidiram transferir parte da produção para o Paraguai vem crescendo nos últimos anos e já acende um alerta no setor industrial. Benefícios fiscais, energia mais barata e menor burocracia estão entre os fatores que transformaram o país vizinho em um dos principais destinos de indústrias que antes concentravam operações no Brasil.
Dados do regime de maquila do Paraguai mostram que, das 332 indústrias estrangeiras registradas no país em 2024, 223 têm origem brasileira. O volume representa quase 70% das empresas instaladas dentro desse modelo industrial.
A movimentação ocorre em meio às críticas do setor produtivo brasileiro sobre alta carga tributária, custos operacionais elevados e dificuldades para competir internacionalmente.
Impostos menores e energia barata atraem empresas
O Paraguai passou a chamar atenção de empresários por oferecer condições consideradas mais vantajosas para a produção industrial. Enquanto empresas brasileiras podem enfrentar carga tributária corporativa próxima de 34%, o país vizinho trabalha com imposto de renda empresarial de 10%.
Além disso, o modelo de maquila permite importar insumos sem cobrança de tributos e aplicar taxa reduzida sobre produtos exportados. O custo da energia elétrica industrial também aparece como um diferencial importante e pode ser até três vezes menor em comparação ao Brasil.
Um dos casos mais conhecidos é o da Lupo. A empresa inaugurou uma fábrica em Ciudad del Este com investimento milionário e afirma operar com custos cerca de 28% inferiores aos registrados em unidades brasileiras.
Mesmo sem encerrar operações no Brasil, especialistas avaliam que o movimento sinaliza uma mudança estratégica de empresas que buscam reduzir despesas e ampliar competitividade.
O crescimento econômico do Paraguai também chama atenção. O país registrou expansão acima da brasileira nos últimos anos e conquistou grau de investimento de agências internacionais de classificação de risco.





