A proposta que prevê o fim da escala 6×1 no Brasil já começa a gerar preocupação em setores estratégicos da economia — e a aviação está entre os mais afetados. Executivos do setor alertam que mudanças nas regras de jornada de trabalho podem comprometer a operação de voos internacionais no país nos próximos anos.
O tema ganhou força após declarações do CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, que alertou sobre o quanto regras sem adaptações específicas para pilotos e comissários poderiam tornar inviáveis algumas rotas internacionais operadas no Brasil.
Atualmente, a proposta em discussão prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, além da ampliação do descanso para dois dias consecutivos.
Aviação teme impacto em jornadas de pilotos e tripulações
Segundo representantes do setor aéreo, a aviação funciona com regras operacionais diferentes da maioria das profissões. Em voos internacionais de longa distância, pilotos e tripulações frequentemente cumprem jornadas superiores a oito horas, seguindo normas específicas já previstas na legislação brasileira.
Hoje, aeronautas trabalham sob um modelo próprio, que considera revezamento, períodos obrigatórios de descanso e limites técnicos de operação. Empresas aéreas argumentam que mudanças sem exceções poderiam elevar custos, reduzir escalas disponíveis e afetar diretamente a oferta de voos internacionais.
O alerta ocorre em um momento de pressão econômica para o setor aéreo, que ainda enfrenta custos elevados de combustível, manutenção e operação.
Enquanto a proposta avança na Câmara dos Deputados, setores empresariais tentam negociar ajustes no texto para evitar impactos em áreas consideradas essenciais. A expectativa da aviação é que profissões com jornadas especiais recebam tratamento diferenciado durante a tramitação da proposta.
Apesar das preocupações levantadas pelas companhias, o projeto ainda está em discussão e não há definição sobre como as regras seriam aplicadas especificamente ao setor aéreo.





