O alerta está dado: o Brasil pode enfrentar um cenário de racionamento de água mais severo e prolongado do que se imaginava.
Segundo o estudo “Demanda Futura por Água em 2050: Desafios da Eficiência e das Mudanças Climáticas”, divulgado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria Ex Ante, o país viverá, em média, 12 dias de racionamento por ano até 2050 — mas algumas regiões podem ultrapassar 30 dias sem água nas torneiras.
Consumo em alta e perdas preocupantes no Brasil
O motivo? As mudanças climáticas estão alterando drasticamente o regime de chuvas e elevando as temperaturas. A pesquisa estima que, nas próximas duas décadas, a temperatura máxima suba 1 °C e a mínima aumente 0,47 °C, o suficiente para reduzir em 3,4% a disponibilidade hídrica anual. Estados do Nordeste e do Centro-Oeste, que já enfrentam longos períodos de seca, estão entre os mais vulneráveis.
Além da escassez natural, o consumo deve crescer 59,3% até 2050, impulsionado pelo aumento populacional, aquecimento global e crescimento econômico.
O estudo mostra que cidades mais urbanizadas consomem mais água, e cada grau a mais na temperatura média eleva o consumo em quase 25%.
Mas o problema não para aí: 40,3% da água tratada no Brasil se perde antes de chegar às casas — seja por vazamentos, falhas operacionais ou ligações clandestinas.
Isso representa cerca de sete bilhões de metros cúbicos desperdiçados por ano, volume que poderia suprir a demanda nacional por décadas.
Especialistas alertam que, sem investimentos imediatos em infraestrutura e eficiência, a falta d’água deixará de ser um problema sazonal para se tornar uma realidade constante e o racionamento pode virar rotina.





