A suspensão da emissão de vistos de imigração para brasileiros, anunciada pelo governo dos Estados Unidos, provocou apreensão e frustração em milhares de pessoas que estavam com processos em andamento. A medida entrou em vigor nesta quarta-feira (21) e também afeta cidadãos de outros 74 países considerados de “alto risco para uso de benefícios públicos”.
A decisão não impacta vistos de turismo ou temporários, como estudo e trabalho provisório, mas atinge diretamente quem busca residência permanente no país, como solicitantes de green card por mérito profissional ou por vínculo familiar.
Notícia devastadora
O consultor financeiro Pedro Zava, de 43 anos, descreveu o impacto da notícia como “uma bomba atômica no peito”. Com processo migratório iniciado em 2023, ele tenta obter o visto EB-2 NIW, voltado a profissionais altamente qualificados e considerados de interesse nacional para os EUA. O pedido foi protocolado em setembro de 2024 e ainda está em fase documental.
“Quando vi a notícia, fiquei sem chão. A sensação foi de bloqueio total”, relatou. Apesar do choque inicial, Zava afirma compreender o endurecimento da política migratória, defendida pelo governo republicano, e acredita que o novo cenário pode priorizar imigrantes mais qualificados.
Situação semelhante vive Rodrigo Perenha, fundador de uma fintech e candidato ao visto EB-1, destinado a profissionais com trajetória considerada extraordinária. Ele enviou sua documentação um dia antes da medida entrar em vigor.
“Foi uma frustração enorme. Foram meses de preparação e coleta de documentos”, disse. Ainda assim, decidiu seguir com o processo. Para ele, o maior problema tem sido a falta de clareza sobre como a suspensão será aplicada na prática.
Além dos profissionais, brasileiros que aguardam vistos por motivos afetivos também foram atingidos. A bióloga Ana Gomez, de 36 anos, aguarda há quase dois anos a conclusão do pedido do visto K-1, conhecido como “visto de noiva”, para se casar com o noivo americano. Sua entrevista consular está marcada para fevereiro, poucos dias após o início da suspensão.
“Não consigo planejar nada. Nem o casamento, nem a vida. A sensação é de estar congelada no tempo”, afirmou.
Governo dos EUA justifica decisão
Em nota, o Departamento de Estado afirmou que a medida segue a diretriz do presidente Donald Trump de priorizar imigrantes financeiramente autossuficientes e evitar que estrangeiros se tornem um “encargo público”. Segundo o governo americano, a revisão faz parte de um pacote mais amplo de endurecimento das políticas migratórias.
Apesar disso, autoridades informaram que, por enquanto, não há previsão de exceções nem de retirada do Brasil da lista. As entrevistas consulares continuam acontecendo, mas nenhum visto de imigração será emitido enquanto a suspensão estiver em vigor.
Especialistas apontam motivação política
Para especialistas em imigração, a decisão tem forte componente político. Michael Valverde, ex-diretor da agência de imigração dos EUA (USCIS), afirma que o Brasil não apresenta indicadores que justifiquem a inclusão na lista de países afetados.
“Os dados não mostram que brasileiros representem risco à segurança nacional ou uso excessivo de benefícios públicos”, explicou. Segundo ele, a medida pode ser revertida no futuro, já que depende de ordens executivas e não de mudanças permanentes aprovadas pelo Congresso.
Enquanto isso, milhares de brasileiros seguem em espera, com planos de vida, carreira e família suspensos, à espera de uma possível revisão da política america





