O avanço das apostas esportivas online no Brasil levou milhares de pessoas a procurarem uma forma de limitar o próprio acesso às plataformas. Dados do governo federal mostram que mais de 574 mil brasileiros já solicitaram o bloqueio voluntário em sites de bets autorizados no país por meio da Plataforma Centralizada de Autoexclusão.
A ferramenta foi criada pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda e permite que o usuário suspenda, de uma só vez, o acesso a todas as casas de apostas legalizadas vinculadas ao CPF. Além do bloqueio, o sistema também impede novos cadastros e interrompe o envio de propagandas relacionadas aos jogos.
Segundo o Ministério da Saúde, o principal motivo apontado pelos usuários é a perda de controle sobre as apostas e os impactos na saúde mental. Esse motivo representa 41% das solicitações registradas até agora. Questões relacionadas à segurança de dados e dificuldades financeiras também aparecem entre as razões mais citadas.
Governo amplia medidas contra impactos das bets
A maioria dos usuários optou pelo bloqueio por tempo indeterminado, enquanto outra parte escolheu períodos temporários, que variam entre um mês e um ano. O objetivo, segundo o governo, é criar mecanismos de proteção para pessoas que enfrentam problemas relacionados ao vício em apostas.
Além do sistema de autoexclusão, a plataforma reúne orientações sobre saúde mental, links para atendimento pelo SUS e um autoteste que ajuda o usuário a identificar sinais de comportamento compulsivo.
O Ministério da Saúde também anunciou investimento de R$ 6 milhões em uma pesquisa nacional sobre os efeitos das apostas na saúde mental da população. O estudo será conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e deve começar ainda em 2026.
Quem precisar de ajuda pode procurar atendimento em unidades básicas de saúde (UBS) e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que oferecem suporte especializado para casos de dependência relacionados a jogos.





